Pixabay

Os cientistas acreditam que os macacos eram tratados como animais de estimação especiais e tinham um “estatuto semi-humano”, sendo enterrados com vários dos seus pertences, tal como as elites romanas.

Um novo estudo publicado no Journal of Roman Archeology revelou que os oficiais militares romanos estacionados no porto de Berenike, no Mar Vermelho, no Egipto, mantinham macacos exóticos de estimação importados da Índia, tratando-os quase como membros das suas próprias famílias.

As descobertas documentam os restos mortais de mais de 30 primatas asiáticos, tornando-os os primeiros macacos de estimação não africanos conhecidos encontrados num contexto romano, refere o IFLScience.

Os animais, enterrados num cemitério de animais que data dos séculos I e II d.C., viveram durante um período em que Berenike albergava uma comunidade de elites romanas, incluindo oficiais de alta patente do exército. Ao contrário dos restos mortais de macacos descobertos anteriormente em sítios romanos, que eram tipicamente macacos-de-gibraltar do Norte de África, os espécimes de Berenike incluíam macacos-rhesus e macacos-de-barrete, bem como um macaco-de-cauda-curta, espécie nativa do sul da Índia e do Vale do Indo. A sua presença indica que os oficiais romanos importaram os animais de muito para além do território imperial, salientando o papel do porto nas redes de comércio de longa distância.

Os arqueólogos afirmam que os enterramentos refletem os profundos laços emocionais entre estes oficiais e os seus animais de estimação. Vários macacos foram enterrados com objetos funerários que parecem ter sido os seus bens pessoais.

Um enterro do início do século I incluía um leitão, grandes conchas, um cesto entrançado e um pano dobrado que fazia lembrar uma boneca de trapos. De acordo com os investigadores, estes artigos que os investigadores pertenciam ao jovem macaco. Outro macaco foi enterrado ao lado de um cachorro e de um gatinho, enquanto uma das sepulturas apresentava até uma lápide semelhante às utilizadas para os humanos.

Tal tratamento está de acordo com textos antigos. Plínio, o Velho, escreveu que os romanos consideravam frequentemente os primatas como tendo um “estatuto semi-humano”, uma perspectiva cultural que pode explicar o cuidado demonstrado nestes enterros. Os investigadores sugerem que os objetos favoritos eram enterrados com os animais para os ajudar na vida após a morte, uma prática geralmente reservada a indivíduos de elevado estatuto.

Apesar do afeto, os esqueletos dos macacos mostram sinais de subnutrição, sugerindo que os donos romanos tinham dificuldades em satisfazer as necessidades das espécies exóticas longe dos seus habitats naturais. Ainda assim, possuir um primata asiático importado conferia um prestígio social significativo. Nos círculos da elite de Berenice, ter um animal deste tipo servia como prova de ligações influentes e de uma linhagem aventureira. Como observam os autores do estudo, alguém que passeasse pelo porto com um macaco-indiano à trela “ter-se-ia deleitado na glória” de ser visto como um explorador de terras distantes.


Subscreva a Newsletter ZAP


Siga-nos no WhatsApp


Siga-nos no Google News