A final da Libertadores disputada no sábado e conquistada pelo Flamengo frente ao Palmeiras (1-0) revelou a história de Cliver Huamán Sánchez, de 15 anos, que sonha trabalhar como narrador e jornalista desportivo. Enquanto alimenta o objetivo e ajuda os pais numa quinta, o adolescente natural de Andahuaylas – no sul do Peru – vai treinando à boleia do “Pol Deportes”, projeto que fundou nas redes sociais.

Uma vez que a final da Libertadores foi disputada no Estádio Monumental, em Lima, Cliver propôs-se a viajar mais de 18 horas para ver o duelo na capital peruana, na companhia do pai e do irmão. Ainda assim – e por desconhecer as normas para obter credenciais – não conseguiu aceder ao recinto. Inconformado, escalou uma montanha, improvisou um estúdio e narrou a final no TikTok.

Na sequência do triunfo do Flamengo, o protagonista desta história tornou-se num fenómeno, acumulando milhões de visualizações e milhares de seguidores. De tal modo que foi convidado a participar na narração do Sp. Cristal-Alianza Lima (1-1), na madrugada desta quarta-feira, na primeira mão das meias-finais do campeonato do Peru.

«És o reflexo do peruano que se esforça todos os dias e que contribui para o desenvolvimento do país. Estou muito orgulhoso de ti. A vida e o futebol vão te dar o lugar que mereces. Quero que estejas comigo na cabine e vais narrar alguns minutos», disse o comentador Peter Arévalo na transmissão da L1MAX, durante o intervalo do Sp. Cristal-Lima.

Numa noite inesquecível, o jovem também foi surpreendido por Julio César Uribe. O antigo selecionador e internacional pelo Peru ofereceu uma edição especial da camisola do Sp. Cristal, emblema do qual o pai de Cliver é adepto. E, para terminar em beleza, o avançado Paolo Guerrero, do Alianza Lima, ofereceu a camisola.

Entretanto, nesta quinta-feira, Cliver recebeu nova surpresa: vai assistir ao Real Madrid-Manchester City de 10 de dezembro.

«Muito conhecem-me como o narrador da montanha, mas poucos sabem que levo muitos anos neste processo. A melhor forma de agradecer seria narrando um jogo oficial de 90 minutos. E quero-vos dizer que a idade não nos limita. “Muchachos”, vamos conseguir grandes feitos», rematou Cliver Huamán Sánchez, de 15 anos.