Os problemas do Serviço Nacional de Saúde continuam a dominar o debate quinzenal, com André Ventura a voltar a tomar a palavra para criticar a “incompetência” do Governo de Luís Montenegro, a partir da resposta do primeiro-ministro à situação de atrasos no atendimento no Hospital Amadora-Sintra, que expusera no início da sua intervenção.

“Não pode acontecer daqui a uma semana. Ninguém neste país, que paga impostos por tudo e por nada, pode ficar 18 horas à espera”, defendeu o líder do Chega, juntando aos números que começou por apresentar críticas ao encerramento de serviços como a Neonatologia do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

Reconhece o fracasso deste Governo na Saúde?”, inquiriu André Ventura, instando o primeiro-ministro a responder se o Governo “está a fazer alguma coisa” e “a ministra da Saúde vale o salário que ganha”.

Na sua resposta, Luís Montenegro acusou o interlocutor de “não conseguir discurtir este assunto com seriedade”, enumerando as 605.070 cirurgias que o Serviço Nacional de Saúde realizou entre janeiro e outubro deste ano, o que disse representar um aumento de 5,9% em relação ao período homólogo de 2024.

No que toca às cirurgias de doentes oncológicos, o primeiro-ministro disse que há 391 casos de pacientes à espera. “Também queria que fossem zero”, acrescentou, reagindo a palavras que vinham da bancada parlamentar socialista. “Estão a aguardar agendamento por razões clínicas. Nao ter respeito por isso é não respeitar a condição das pessoas que se encontram nessa condição”, disse Montenegro. E, dirigindo-se ao líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, considerou que “isso é demasiado baixo”.

Voltando a encarar André Ventura, Montenegr defendeu que o seu Governo está “a caminhar no sentido de habilitar o Serviço Nacional de Saúde para ter mais capacidade de resposta”, pois essa será “a única forma de diminuir tempos de espera”. E deixou a previsão de que o líder do Chega “vai continuar a preferir utilizar o caso concreto em que não houve capacidade de resposta ou em que não foi tão eficiente como era desejável”, acusando-o de pretender “fazer a mesma demagogia”.

André Ventura respondeu que vai “continuar a ter a mesma fúria” enquanto se mantiver a mesma situação, acusando o primeiro-ministro de lhe estar a dizer, e ao país inteiro, “que não vai resolver os problemas da Saúde”.

O líder da maior bancada da oposição e o primeiro-ministro também chocaram de frente devido à vontade do Governo em aumentar as propinas dos estudantes universitárias, travada graças à convergência entre Chega e PS. Ventura referiu que “o mal que estão a fazer aos nossos jovens” é motivo para um “descontentamento geral”, enquanto Montenegro responder que “não compreender que atualizar as propinas em 13 euros por ano, para reforçar a ação social a quem dela necessita é uma questão de justiça, é não compreender nada”.

O líder do Chega contrapôs que esse aumento seria um “sinal errado” para os jovens portugueses, fazendo criar a ideia de que “não os queremos cá e não os queremos valorizar”, e também acusou o Governo de aumentar a tributação nos combustíveis, através da diminuição do desconto no imposto sobre produtos petrolíferos.

Os trabalhos acabaram por ficar suspensos durante alguns segundos devido ao que Marcos Perestrello chamou “agitação parlamentar normal” – o vice-presidente da Assembleia da República acabaria por dizer a Ventura que “parece que há deputados da sua bancada que não o querem deixar falar” -, e quando o líder do Chega voltou a tomar a palavra disse que as restantes bancadas “não se deviam rir do aumento dos combustíveis”.

Por seu lado, Montenegro admitiu que, “perante uma descida muito significativa nos preços da gasolina e do gasóleo”, o Governo aproveitou para recuperar o desconto que estava em vigor. Mas defendeu que isso não teve impacto nos preços pagos pelos consumidores finais, apontando uma quebra de 21 cêntimos por litro.