O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a intenção de aligeirar o padrão de eficiência do combustível usado nos automóveis, ou seja permitir que consumam mais gasolina ou gasóleo fazendo menos quilómetros do que actualmente. O objectivo é eliminar as regulamentações destinadas a controlar as emissões de gases com efeito de estufa, que tinham sido reforçadas pelo Presidente Joe Biden.
Acossado pelas críticas de que não está a fazer nada para que os preços e a inflação diminuam, Trump defendeu que diminuir a eficiência energética dos automóveis permitirá reduzir-lhes o preço. “As pessoas querem carros a gasolina”, afirmou o Presidente, que tem tentado dificultar o progresso dos carros eléctricos.
A proposta é baixar a actual exigência de que os automóveis gastem 4,7 litros aos 100 km para um nível muito mais permissivo, de 6,80 l/100 km, explica a Reuters.
“Estamos oficialmente a remover os padrões CAFE ridiculamente restritivos e horríveis de Joe Biden, que impuseram restrições dispendiosas e todo o tipo de problemas”, declarou Trump, na Sala Oval da Casa Branca, citado pela agência AFP. O Presidente dos EUA referia-se às regulamentações de Economia Média de Combustível Corporativa (CAFE, na sigla em inglês), postas em prática em 1975 e endurecidas pelo ex-Presidente democrata Joe Biden.
Retrocesso em curso
Desde que regressou à Casa Branca para um segundo mandato, em Janeiro, Trump espalhou o seu cepticismo em relação às alterações climáticas, e revogou ou enfraqueceu várias medidas que promoviam a transição para os veículos eléctricos, entre outras medidas de protecção do clima e da natureza.
O programa CAFE exige que os veículos atinjam a melhor economia de combustível possível por quilómetro. O Governo de Biden tinha determinado uma melhoria de 8% para os modelos de 2024 e 2025 e de 10% para os modelos de 2026, para atingir mais de 80 km por 3,78 litros. As regras de Biden procuraram incentivar os fabricantes de automóveis a pôr no mercado um número crescente de veículos eléctricos, mas não teriam forçado o fim imediato dos motores de combustão.
A proposta agora é uma revisão em baixa das normas de economia de combustível de 2022, através de um aumento anual do consumo de 0,25% a 0,5% até 2031. As estimativas apresentadas apontam para que esta redução da eficiência energética dos automóveis poderia reduzir os os custos médios iniciais dos veículos em cerca de 900 dólares.
Fabricantes satisfeitos
A estimativa é que a regra proposta reduziria os custos médios iniciais dos veículos em cerca de 900 dólares, mas aumentaria o consumo de combustível em cerca de 378 biliões (milhões de milhões) de litros até 2050 e custaria aos americanos até mais 185 mil milhões de dólares. Além de aumentar as emissões de dióxido de carbono dos Estados Unidos em cerca de 5%, salienta a Reuters.
A redução da regra facilitará muito o cumprimento por parte dos fabricantes de automóveis durante algum tempo: poderiam poupar 35 mil milhões de dólares até 2031, incluindo 8700 milhões de dólares para a GM e mais de 5000 milhões de dólares para a Ford e a Stellantis.
Na União Europeia, o esperado fim da venda de carros novos com motores de combustão a partir de 2035 também pode sofrer “flexibilizações” que atrasem e aligeirem os objectivos de transitar para uma economia de baixo carbono, após pressões dos fabricantes de automóveis e alguns governos, entre os quais a Alemanha.
5%
é quanto as emissões de dióxido de carbono dos EUA podem aumentar com a diminuição dos padrões de eficiência no uso de combustíveis
Por isso, os três principais fabricantes de automóveis norte-americanos receberam bem a decisão do Presidente republicano, em reacções divulgadas ainda antes do anúncio da Casa Branca.
A regra de eficiência deveria permitir reduzir o consumo de combustível em 757 milhões de litros até 2050. Com estas mudanças, o aumento das emissões de gases de estufa será equivalente a ter mais 7,7 milhões de carros a circular nas estradas americanas até 2035.
“A Administração Trump está a castigar os condutores com custos mais elevados na compra de combustível, para beneficiar a indústria petrolífera. Os condutores vão pagar centenas de dólares a mais todos os anos se estas regras avançarem”, afirmou Katthy Harris, directora responsável pela área de veículos limpos na organização não-governamental Natural Resources Defense Council, citada pela Reuters.