A nova lista de exceções à tarifa adicional de 40% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou da sobretaxa 10,9% da pauta exportadora brasileira, o equivalente a 4,395 mil milhões de dólares. Com o novo pacote, 55,4% das vendas do Brasil aos EUA em 2024 — cerca de 22,381 mil milhões de dólares — passam a estar isentas. O impacto imediato é relevante, mas o potencial para 2025 é ainda maior.
Entre os produtos beneficiados, o destaque é o café não torrado e não descafeinado, terceiro item mais importante da pauta brasileira para os EUA, com 1,896 mil milhões de dólares em vendas no último ano. Também foram incluídas carnes bovinas desossadas e congeladas (885 milhões de dólares), preparações de bovinos (393,5 milhões), sucos de laranja (222 milhões) e óleo essencial de laranja (202 milhões). São segmentos com forte cadeia produtiva doméstica, grande empregabilidade e capacidade de rápida expansão.
As novas liberações criam espaço para que o agronegócio brasileiro amplie sua presença em um mercado de alto consumo e previsibilidade. Ao garantir competitividade justamente nos produtos em que o Brasil é líder mundial, o país abre caminho para um 2025 com maior dinamismo econômico.
Três setores seguiram tarifados — mas também apontam caminhos de crescimento
Apesar das boas notícias, três setores brasileiros continuam integralmente fora das isenções: indústria manufatureira, pescados e mel. Ainda que enfrentem tarifas elevadas, esses segmentos entram em 2025 com potencial de reposicionamento e retomada.
Indústria manufatureira sente o impacto em 2024, mas abre espaço para reação em 2025
Os efeitos das tarifas já aparecem com clareza. Em outubro, as exportações brasileiras de máquinas para os Estados Unidos caíram 31,6% em relação a setembro. Na comparação com outubro de 2023, a queda foi ainda mais forte: 42,5%. Como resultado, a participação dos EUA nas vendas externas do setor recuou para 13%, após ter representado cerca de 25% até agosto.
A retração é expressiva, mas revela justamente onde está o potencial de retomada. A indústria brasileira possui capacidade instalada, tecnologia e mão de obra para reagir rapidamente caso haja avanço nas negociações tarifárias — ou caso o setor consiga acessar nichos de menor sensibilidade política dentro do mercado americano.
O setor de pescados também ficou totalmente fora das isenções. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), “o governo brasileiro não tem priorizado a pauta de pescados”, o que tem gerado frustração no setor. Em nota, o presidente da entidade, Eduardo Lobo, afirmou que o sentimento entre as empresas é de desânimo, especialmente porque cerca de 300 milhões de dólares são exportados anualmente para os EUA.
Apesar disso, o segmento opera em mercados de alto valor agregado — alimentos sustentáveis, orgânicos e certificados — onde o consumidor americano paga mais e a tarifa pesa menos. Esse é um terreno fértil para expansão em 2025, especialmente por meio de produtos premium e venda direta via canais digitais.
A apicultura brasileira também permaneceu integralmente tarifada. Mesmo com participação menor na pauta de exportações, o setor possui produtos muito valorizados no mercado internacional, como mel orgânico, própolis verde e suplementos naturais. Com certificações adequadas e posicionamento estratégico, o Brasil pode ampliar a presença desses itens nos EUA, mesmo com a tarifa adicional.
Além disso, os Estados Unidos seguem como um dos pilares da balança comercial brasileira. Em 2024, o Brasil exportou 40,92 mil milhões de dólares para o mercado americano, segundo dados do Trading Economics. Considerando que o PIB nominal brasileiro foi de aproximadamente 2,179 biliões de dólares, de acordo com o The Global Economy, as vendas para os EUA representaram cerca de 1,9% de toda a riqueza gerada no país.
Esse número reforça a relevância estratégica do mercado americano e amplia a perspectiva de impacto positivo no PIB brasileiro em 2025. Com parte importante do agronegócio agora mais competitiva, e seores industriais com espaço claro para retomada caso haja avanço nas negociações tarifárias, o Brasil entra no próximo ano com condição real de acelerar o crescimento econômico — combinando diversificação, valor agregado e expansão das exportações.