De bailarina a bilionária mais jovem do mundo: brasileira que sonhava ser a próxima Steve JobsDe bailarina a bilionária mais jovem do mundo: brasileira que sonhava ser a próxima Steve JobsFoto: Divulgação/Forbes/ND Mais

Apesar de ter se tornado a mulher mais jovem do mundo a alcançar o status de bilionária por conta própria, a trajetória de Luana Lopes Lara, de 29 anos, começou muito longe da fortuna. Antes de liderar uma startup avaliada em US$ 11 bilhões, ela treinava horas por dia em salas de dança, seguindo a disciplina rígida da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, Santa Catarina.

Mineira de nascimento, Luana se mudou para Santa Catarina ainda jovem para seguir carreira na dança. Anos depois, trocaria as sapatilhas pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e, posteriormente, pela liderança no mercado financeiro global. A virada que parecia improvável acabou se tornando uma história surpreendente.

Da sala de ensaio ao MIT

Mesmo imersa no ambiente competitivo da dança, Luana sempre manteve ambições maiores. Ela conta que desejava se tornar a próxima Steve Jobs. Incentivada pelos pais, uma professora de matemática e um engenheiro elétrico, também se dedicou a competições científicas, conquistando medalhas em olimpíadas de astronomia e matemática.

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Após concluir o ensino médio, viveu nove meses como bailarina profissional na Áustria, até decidir abandonar as sapatilhas para ingressar no MIT e seguir o caminho da tecnologia nos Estados Unidos.

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A criação da Kalshi e a batalha por regulamentação

Foi no MIT que Luana conheceu o libanês Tarek Mansour, hoje seu sócio na Kalshi. A ideia da empresa surgiu em 2018, após ambos perceberem que investidores já consideravam eventos futuros, como eleições ou desastres naturais, em suas tomadas de decisão. Eles imaginaram, então, um mercado que permitisse negociar diretamente a probabilidade desses acontecimentos.

Aceitos na aceleradora Y Combinator em 2019, enfrentaram o maior obstáculo da empresa, que foi a falta de clareza regulatória. Mais de 40 escritórios de advocacia recusaram o caso, até que um ex-funcionário da CFTC Jeff Bandman decidiu ajudá-los. Em 2020, a Kalshi recebeu a aprovação federal para operar como um designated contract market, o primeiro do tipo a negociar contratos de eventos legalmente nos Estados Unidos.

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  • A estratégia que levou a Kalshi a um valuation de US$ 11 bilhões - Divulgação/Forbes/ND Mais A estratégia que levou a Kalshi a um valuation de US$ 11 bilhões – Divulgação/Forbes/ND Mais

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A startup cresceu rapidamente e viu seu valor de mercado atingir US$ 11 bilhões após uma nova rodada de investimentos liderada pela Paradigm e acompanhada por grandes fundos como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator. Com cerca de 12% de participação cada, Luana Lopes Lara e o cofundador Tarek Mansour passaram a ter patrimônio estimado em torno de US$ 1,3 bilhão.

A Kalshi também fez história ao vencer na Justiça o direito de ofertar contratos eleitorais legais nos EUA, algo inédito em mais de um século. Antes da eleição presidencial de 2024, usuários movimentaram mais de US$ 500 milhões, e acertaram a previsão do resultado.

Luana é a bilionária mais jovem do mundo por conta própria

Desde a regulamentação, a Kalshi viu seu volume de negociações aumentar 1000% em um ano, superando US$ 1 bilhão negociados por semana. A plataforma firmou parcerias com corretoras como Robinhood e Webull e atraiu nomes de peso para seu conselho, incluindo Donald Trump Jr.

Bilionária mais jovem do mundoComo a ex-bailarina enfrentou regulações e venceu nos EUA e agora é a bilionária mais jovem do mundoFoto: Divulgação/Forbes/ND Mais

Apesar do avanço, a empresa enfrenta novas pressões regulatórias. Com mais de 90% do volume atual concentrado em esportes, alguns estados dos EUA passaram a questionar se os contratos esportivos deveriam ser taxados como jogos de azar, mesmo após a aprovação federal que os enquadra como operações de mercado financeiro.

Mesmo em meio às discussões regulatórias, a trajetória de Luana chama atenção. A ex-bailarina do Bolshoi que trocou o palco pelo MIT e depois pelos mercados financeiros, superou nomes como Lucy Guo, da Scale AI, e até Taylor Swift, que por anos figurou como a bilionária self-made mais jovem do mundo.