A WBD é dona de vários canais de cabo, que não estão incluídos neste acordo de transação e deverão passar para a empresa independente WBD Global Networks.
A companhia é dona de diversos canais, na área da informação, entretenimento e desporto. A lista inclui a CNN, TVN, TNT, TLC, Food Network ou o Adult Swim. Também tem o canal de animação Cartoon Network. No desporto, a aposta mais conhecida é a Eurosport.
Em junho, quando anunciou a vontade de dividir áreas de negócio, a WBD revelou que tinha 1.100 milhões de espectadores únicos à escala global.
Numa chamada com analistas, feita após o anúncio do acordo, Ted Sarandos afirmou que está “altamente confiante em relação ao processo regulatório”. Porém, segundo a imprensa especializada e alguns analistas, a realidade deverá ser outra. Muitos apontam que é expectável que o negócio suscite dúvidas, tanto nos EUA como na Europa.
Em território norte-americano, nem a Casa Branca nem Donald Trump emitiram comentários sobre o negócio. Numa nota de research citada pelo Deadline, o analista Blair Levin, da New Street Research, afirmou que “é mais provável do que improvável” que o Departamento de Justiça dos EUA tente travar a operação. No entanto, o analista especializado em questões de policy e regulação salienta que o Presidente dos EUA poderá ter um papel relevante nesta discussão. Ou até que a Netflix possa vir a dar passos para tentar reduzir o “imposto de transação Trump” — por exemplo, fazer promessas de produzir mais séries nos EUA, para tentar ganhar pontos com o líder da Casa Branca.
“À luz do atual ambiente regulatório, isto [negócio] suscitará espanto e preocupações. O player dominante combinado de streaming será fortemente escrutinado”, alerta Paolo Pescatore, analista da PP Foresight, em declarações citadas pela Reuters.
Se o negócio cair por terra por questões regulatórias ou por questões de mercado, a Netflix acordou pagar uma taxa de rescisão de 5,8 mil milhões de dólares (4,98 mil milhões de euros) à Warner Bros, escreve a Bloomberg. Já a Warner Bros. Discovery comprometeu-se a pagar à Netflix 2,8 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros).
Este anúncio da aquisição põe fim a uma guerra de licitações para ficar com os ativos da Warner Bros. Discovery.
Não há, para já, reações oficiais após o negócio ter sido divulgado. Mas a Paramount Skydance, gerida por David Ellison, filho do dono da tecnológica Oracle, ter-se-á queixado, ainda antes do fecho do acordo, da forma como o negócio estava a ser conduzido. Foi pelo menos essa a informação avançada pela CNBC, esta quinta-feira, que citou uma carta enviada pelos advogados da Paramount a David Zaslav, CEO da WBD. Na missiva, foi contestada a “equidade e adequação” do processo.
“Tornou-se crescentemente claro, através da informação dos media e outros formatos, que a WBD parece ter abandonado a aparência e a realidade de um processo de transação justo, abdicando assim das suas obrigações para com os acionistas, e embarcado num processo míope com um resultado predeterminado que favorece um único licitante”, citou a CNBC.
Segundo o Deadline, a escolha da Netflix terá sido até uma surpresa, já que muitos em Washington acreditavam que a Paramount estaria numa posição mais favorável a nível regulatório. Tudo porque a família Ellison, agora à frente da Paramount, tem proximidade com Donald Trump.
Este anúncio está a ser criticado por alguns senadores, tanto republicanos como democratas. Ainda durante a fase de licitações pelos ativos da WBD, os republicanos no Congresso alertaram que ter a Netflix a absorver a HBO Max e o catálogo de conteúdos da Warner Bros resultaria na redução de escolha para o consumidor. E, em última instância, dava uma “inaceitável” fatia do mercado de streaming à Netflix.
O republicano Mike Lee, do Utah, afirmou ainda na quinta-feira, quando foram avançadas as primeiras notícias sobre o negócio, que a operação representava uma “ameaça concorrencial séria”, que deveria “enviar um alarme às autoridades de concorrência em todo o mundo”.
“Esta potencial transação, se se materializar, levanta sérias questões concorrenciais — mais do que a qualquer outra transação que já vi na última década. Quando a Netflix tem concorrência real, os espectadores e os artistas ganham”, escreveu na rede social X.
Learning about Netflix’s ambition to buy its real competitive threat—WBD’s streaming business—should send alarm to antitrust enforcers around the world
This potential transaction, if it were to materialize, would raise serious competition questions—perhaps more so than any… https://t.co/hnbLZOwgjI
— Mike Lee (@BasedMikeLee) December 4, 2025
Já a senadora democrata Elizabeth Warren declarou o acordo como “um pesadelo”. “Uma fusão entre a Netflix e a Warner Bros criaria um gigante da media com controlo de quase metade do mercado de streaming — ameaçando forçar os norte-americanos a pagar preços mais altos por subscrições e ter menos opções sobre o que e como assistir, além de colocar os trabalhadores americanos em risco”, disse Warren num comunicado citado pela Reuters.