
A empreendedora e antiga bailarina brasileira Luana Lopes Lara
Após a mais recente ronda de investimento, Luana Lopes Lara, cofundadora da startup de “prediction markets” Kalshi, passa a ter uma fortuna estimada em 1,3 mil milhões de dólares. Ultrapassa Lucy Guo e Taylor Swift e torna-se a mais jovem mulher a construir uma fortuna de mil milhões por mérito próprio.
A fundadora de 29 anos de uma plataforma de apostas online que previu corretamente a vitória eleitoral de Donald Trump no ano passado é agora a mais jovem mulher de sempre a construir por si própria uma fortuna de mil milhões de dólares.
Luana Lopes Lara, antiga bailarina e estagiária de um hedge fund no Brasil, terá ultrapassado este marco na terça-feira, depois de a sua empresa de “prediction markets” Kalshi ter sido avaliada pelos investidores em cerca de 11 mil milhões de dólares — um pouco menos que 9,5 mil milhões de euros.
De acordo com a Forbes, a empresa fechou recentemente uma ronda de financiamento de mil milhões de dólares, liderada pelos gigantes de capital de risco Sequoia Capital e Andreessen Horowitz, o que fez disparar o valor da participação de Lopes Lara para 1,3 mil milhões de dólares — pelo menos em termos contabilísticos.
Com esta valorização, Lopes Lara destronou Lucy Guo, empresária na área da inteligência artificial, de 31 anos, que até agora detinha o título de mulher mais jovem com uma fortuna desta dimensão — depois de em abril deste ano ter ela própria ultrapassado Taylor Swift como mais jovem “bilionária” de sempre.
“Há poucas formações melhores do que ser bailarina profissional para aprender a ouvir ‘não’ e, mesmo assim, insistir. Uma lesão ou até um pequeno período de descanso podem significar perder o lugar”, disse à Forbes Alex Immerman, sócio da Andreessen Horowitz. “Luana aprendeu cedo a persistência com elegância… e levou essa mesma confiança calma para a construção da Kalshi.”
Taylor Swift, atualmente com 35 anos, atingiu este patamar em outubro de 2023, aos 33 anos, depois de ter começado a regravar os seus primeiros álbuns para recuperar os direitos das gravações detidos pela sua antiga editora.
A até agora detentora do título, Lucy Guo, fundou a Scale AI em 2016. Saiu da empresa em 2018, devido a divergências com o cofundador, mas manteve uma participação na empresa — que recebeu um forte impulso quando a Meta, dona do Facebook, comprou 49% do capital em junho de 2025.
Os cálculos sobre o património líquido de celebridades são pouco transparentes e por vezes imprecisos, em parte devido à confidencialidade que costuma rodear os seus ativos, nota o The Independent.
Em 2019, a Forbes atribuiu o título de mais jovem multimilionária “self-made” de sempre a Kylie Jenner, então com 21 anos, mas recuou no ano seguinte, acusando a empresária de cosmética e herdeira do clã Kardashian de ter inflacionado o valor da fortuna — algo que Jenner negou.
Lopes Lara, tal como o cofundador da Kalshi, Tarek Mansour, também com 29 anos, terão cerca de 12% das ações da Kalshi. À medida que a empresa cresce, os investidores pagam cada vez mais pelas ações, o que faz com que a participação de cada um esteja agora avaliada em cerca de 1,3 mil milhões de dólares.
Kalshi

Os cofundadores da Kalshi, Luana Lopes Lara e Tarek Mansour, conheceram-se no MIT e estreitaram a ligação durante um estágio na Five Rings Capital, em Nova Iorque.
Lopes Lara estudou na prestigiada Escola do Teatro Bolshoi em Joinville, no Brasil, onde o horário diário se estendia das 7h às 21h e onde os professores chegavam, segundo relatos, a segurar cigarros acesos por baixo da sua coxa enquanto ela tentava mantê-la levantada o máximo de tempo possível.
Depois de atuar como bailarina na Áustria durante nove meses, desistiu da carreira artística para estudar informática no MIT, onde conheceu Mansour.
Enquanto estudante, fez estágios em instituições financeiras de Nova Iorque, como a Citadel Securities, que teve um papel central na euforia em torno das ações da GameStop em 2021, e a Five Rings Capital.
“Percebemos que grande parte da negociação acontece quando as pessoas têm uma opinião sobre o futuro e tentam encontrar forma de a traduzir nos mercados”, disse Lopes Lara à Forbes.
Foi essa a faísca que deu origem à Kalshi, plataforma que permite aos utilizadores apostar uns contra os outros sobre se determinados eventos futuros se irão concretizar, de forma semelhante ao Polymarket, onde um apostador francês anónimo ganhou 80 milhões a apostar em Donald Trump.
Os reguladores norte-americanos consideram-na uma plataforma de negociação financeira e não um site de jogo, o que permite à Kalshi operar em estados que proíbem apostas online.
Em 2019, a ideia garantiu a Lopes Lara e Mansour um lugar no acelerador de startups Y Combinator, em Silicon Valley, mas foi preciso esperar anos até que a Kalshi obtivesse todas as aprovações regulatórias necessárias e pudesse lançar efetivamente um produto.
A empresa acabou por processar a reguladora norte-americana, CFTC, para ter o direito de operar, e venceu o caso, o que lhe permitiu lançar finalmente a plataforma, em setembro de 2024 — mesmo a tempo das presidenciais.
Os utilizadores da Kalshi apostaram cerca de 3,6 mil milhões de dólares nessa disputa eleitoral e, no conjunto, acertaram no resultado. A empresa afirma agora que, todas as semanas, são transacionados mais de mil milhões de dólares através do seu serviço.
Como aqui escrevemos há dias no ZAP, se quisermos saber quem vai ganhar as eleições presidenciais… basta seguir o dinheiro.