“Os recursos são praticamente iguais, pois 99 por cento do texto de ambos é o mesmo, é um autêntico “copy e paste”, um dos recursos tem 25 páginas e o outro tem 26 páginas”, escreveu o advogado, Germán-Ramón Inclán Méndez, em comunicado enviado à comunicação social.

Inclán Méndez diz que a advogada das queixosas tratou sempre o caso de ambas as mulheres indistintamente, deduzindo, inclusivamente, apenas uma acusação particular. Nestas circunstâncias, e tendo em contra o princípio da economia processual, o advogado antevê que a mudança de estratégia das queixosas, com a presente interposição de dois recursos, será considerada “irregular e ilógica”. Os recursos já deram entrada, mas ainda não foram formalmente admitidos, segundo diz.

Defesa ataca “perspetivas de género”

O advogado Germán-Ramón Inclán Méndez defende os quatro jovens portugueses (Foto: Joaquim Gomes)

O processo começou com a queixa apresentada por uma asturiana e uma basca, de 22 e 23 anos, por violação coletiva alegadamente cometida pelos quatro portugueses, na madrugada de 24 de julho de 2021, numa unidade hoteleira de Gijón, nas Astúrias.

Mas um tribunal coletivo, com dois juízes e duas juízas, analisou as provas, inclusivamente um vídeo, e concluiu que as relações sexuais foram consentidas pelas queixosas.

“Respeitamos profundamente o direito processual penal das duas queixosas recorrerem da absolvição completa dos quatro acusados, todos meus clientes, mas não podemos deixar de lamentar o método de recorrer”, reage Germán-Ramón Inclán Méndez, considerando que “isto só pode significar que se está a tentar a protelação deste processo, face à iminência de um processo a movermos contra as queixosas, por crime de falsos testemunhos”.

Segundo o causídico, “as duas queixosas tiveram sempre declarações inconsistentes e mentiram de forma grosseira, ao longo de todo o processo, inclusivamente no julgamento, provocando danos irreparáveis para toda a vida aos meus jovens clientes”.

Antecipando a contestação dos recursos, ou recurso, Inclán Méndez escreve: “Não vamos consentir que as batidas e desgastadas ‘perspetivas de género’ que a parte contrária quer fazer valer neste momento, ou o que é o mesmo, discriminações do homem pelo facto de ser homem em prol da supervalorização que se pretende das manifestações e comportamentos da mulher só pelo facto de ser mulher possam vir a afetar negativamente o destino processual dos meus quatro clientes.”

Advogada não quer fazer comentários

O JN já tentou obter uma reação da advogada Loreto Díaz Rodríguez, que representa as queixosas, mas a causídica espanhola não esteve disponível para responder às questões sobre o comunicado do advogado de defesa.

A advogada Loreto Díaz Rodríguez continua a pedir, nos seus dois recursos, a condenação dos quatro arguidos portugueses. Quer 22 anos de prisão para dois suspeitos e 14 anos para os outros.

Segundo a causídica, com escritório nas Astúrias, as penas mais elevadas devem ser aplicadas aos dois suspeitos que estiveram presos preventivamente dois meses.

A advogada reclama ainda indemnizações de 25 mil euros a dois arguidos e de seis mil euros a outros.