O Arsenal parecia entronizado como o novo rei da Premier League, Mikel Arteta como o seu genial líder supremo – até na Liga dos Campeões, os “gunners” são olhados desta maneira, melhor equipa da Europa, a equipa perfeita, entre outros adjectivos. A fama era, claro, sustentada pelos resultados, só vitórias na Champions, quase imbatível na Premier League. Até ao momento em que apareceu em cena o Aston Villa e essa propalada perfeição do Arsenal e de Arteta veio por aí abaixo, outra vez. Em Birmingham, não houve nenhum canto milagroso no último minuto para salvar os londrinos, mas um milagre nascido na confusão para dar a vitória à equipa de Unai Emery por 2-1 e elevá-los à condição de candidatos ao título.

Depois dos golos de Matty Cash e Trossard deixarem o marcador em 1-1 até aos 94, eis que o Villa, entre muitos ressaltos e quedas, conseguiu marcar, por Buendia, abalando as fundações do velhinho Villa Park (tem 128 anos). E, de repente, a corrida ao título na Premier League parece mais aberta do que nunca – o Arsenal passou a ter apenas dois pontos de vantagem sobre o Manchester City, vitorioso sobre o Sunderland e três sobre os “villains”.


Já não é a primeira vez que isto acontece. Nem a segunda. É uma evidência que Unai Emery descobriu o segredo para ganhar a Mikel Arteta – no duelo entre os dois treinadores bascos, é quase sempre Emery, nascido em Hondarribia, quem sai por cima, com quatro vitórias em oito jogos, contra apenas duas de Arteta, natural de San Sebastián, e dois empates. E esta derrota atrapalha bastante os “gunners”, que já não perdiam um jogo desde Agosto, numa derrota com o Liverpool que, agora, não ganha a ninguém, nem ao Leeds contra quem ficou-se pelos 3-3 – e já tinham empatado na jornada passada com o Chelsea.

Já o Aston Villa confirmou com este triunfo que é a equipa em melhor forma na Premier League. Foi o seu nono triunfo nos últimos dez jogos, uma série que incluiu os “escalpes” do City e do Tottenham, mas o início de época indiciava tudo menos uma candidatura ao título – apenas três pontos e um golo marcado nas primeiras cinco jornadas.

E talvez seja por isso que Emery não considera que o Villa, já por sete vezes campeão inglês (a última em 1981) e uma vez campeão europeu (1982), seja já um candidato. “Eu sei que 38 jogos é muito difícil. Não somos um candidato. Se estivéssemos na jornada 35, talvez falasse de forma diferente, mas ainda estamos na 14…”, alertou.

Embora Emery nunca o vá admitir, parece sentir um gosto especial por ganhar ao Arsenal, clube que o despediu em Novembro de 2019, menos de época e meia depois de ter sido contratado para substituir Arséne Wenger. Quem é que o substituiu? Arteta, que está a ter o tempo que Emery nunca teve.

Mas Emery já tem um currículo que lhe permite estar acima das dúvidas – campeão francês com o PSG, vencedor da Liga Europa três vezes com o Sevilha e uma com o Villarreal. E transformou o Aston Villa numa equipa de Liga dos Campeões – na época passada chegou aos quartos-de-final. Isto já não é só atrapalhar a vida a Arteta.