Um novo estudo publicado na revista Pediatrics reacendeu o debate sobre a idade mais adequada para crianças ganharem o primeiro smartphone. A pesquisa analisou dados de mais de 10.500 participantes do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente, o maior acompanhamento longitudinal desse tipo nos Estados Unidos, e identificou riscos consistentes associados ao uso precoce do celular.
Com o avanço da conectividade e a pressão social vivida por famílias, o tema voltou ao centro das discussões entre educadores, especialistas em saúde e responsáveis que tentam equilibrar autonomia digital e proteção.
Foto: Pexels
Pior sono, ganho de peso e queda no bem-estar emocional
O estudo constatou que crianças que começaram a usar o smartphone antes dos 12 anos apresentaram, ao longo de um ano, piora na qualidade do sono, aumento de peso e sinais mais intensos de sofrimento emocional.
Entre os fatores apontados pelos pesquisadores estão:
- aumento do tempo sedentário;
- redução significativa da prática de exercícios físicos;
- atraso no horário de dormir;
- diminuição do convívio presencial com outras crianças, fundamental para o desenvolvimento emocional e social.
Embora pequenas mudanças na rotina sejam comuns na pré-adolescência, os cientistas alertam que, nessa fase, alterações no sono e no comportamento podem ter efeitos prolongados na saúde física e mental.
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Uso noturno agrava o problema
Outro dado relevante veio de uma pesquisa de 2023:
63% das crianças de 11 e 12 anos dormem com dispositivos eletrônicos no quarto, e, entre elas, 17% relataram ter sido acordadas por notificações recentemente.
A exposição noturna à luz da tela e o estímulo constante das mensagens interrompem o ciclo do sono e aumentam o risco de ansiedade, irritabilidade e fadiga diurna.
O que famílias devem considerar
Pesquisadores alertam que o debate sobre a idade ideal para ter um smartphone deve ir além da pressão social, e envolver uma avaliação cuidadosa sobre maturidade, rotina, limites e acompanhamento familiar.
Recomendações incluem:
- adiar o acesso ao smartphone sempre que possível;
- manter o aparelho fora do quarto à noite;
- estabelecer horários e regras para uso;
- priorizar conversas abertas sobre segurança digital, privacidade e convivência social.
Embora o celular não seja, por si só, responsável por todos os problemas, o estudo reforça que adiar seu uso oferece proteção adicional na infância, etapa marcada por intensos desafios psicológicos, sociais e corporais.
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