O Benim amanheceu no meio do caos. Logo nas primeiras horas da manhã, um grupo de militares ensaiou uma tentativa de golpe de estado, atacando a casa do Presidente Patrice Talon – que, entretanto, o Ministério do Interior já fez saber que está em segurança, ainda que não se conheça a sua localização.
A cidade de Cotonou, a capital económica do Benim, acordou ao som de detonações, escreve o Jeune Afrique. Um grupo de militares tentou tomar de assalto a casa do Presidente, mas foram “repelidos”, de acordo com as autoridades.
Os militares, liderados pelo tenente-coronel Pascal Tigri, conseguiram tomar a televisão pública beninense e fazer transmitir, em repetição, uma mensagem onde anunciavam que “demitiram das suas funções” o Presidente Talon. Referiam ainda a criação de um suposto Comité Militar para a Refundação, que seria liderado por Tigri, a suspensão da Constituição e de todas as instituições e partidos políticos e o encerramento de todas as fronteiras do Benim.
As razões, referem, são a própria “governação de Patrice Talon e a privação de alguns cidadãos do seu direito de escolher o seu candidato” e a prisão “ou envio para o exílio de certos cidadãos”, cita o Libération.
A situação está agora “sob controlo”, afirmou o ministro do Interior, Alassane Seïdou, num vídeo no Facebook. “No início da manhã deste domingo, dia 7 de Dezembro de 2025, um pequeno grupo de soldados levou a cabo um motim com o objectivo de desestabilizar o Estado e as suas instituições”, descreveu.
“Face a essa situação, as forças armadas beninenses e a sua hierarquia, fiéis ao seu juramento, mantiveram-se republicanas”, afirmou. “A sua resposta permitiu manter o controlo da situação e frustrar a tentativa”, termina.
Também o ministro das Finanças, Romuald Wadagni, disse ao Jeune Afrique que a situação estava agora “sob controlo” e que os “amotinados estavam encurralados. Estamos a tratar deles, mas ainda não acabou. Estamos em segurança”.
“Trata-se de um grupo pequeno de pessoas que tiveram controlo apenas da televisão. As Forças Armadas retomam o controlo. A cidade [Cotonou] e o país estão totalmente em segurança, o Presidente e a sua família também”, disse uma fonte militar próxima de Patrice Talon à AFP.
A embaixada francesa no Benim, confirma, em comunicado, que se ouviram tiros “nas proximidades da casa do Presidente da República” e pede a todos os franceses no país que fiquem em casa até que a “situação esteja completamente esclarecida”.
Há praticamente dez anos que Patrice Talon lidera o país. Eleito pela primeira vez em 2016, está agora nos últimos meses de mandato. Para as próximas eleições presidenciais, marcadas para Abril, já designou um sucessor: a coligação no poder nomeou o ministro das Finanças Romuald Wadagni para ser o seu candidato presidencial.
A oposição, liderada pelos Democratas, propuseram um candidato, mas foi rejeitado em tribunal devido ao que consideraram ser apoio insuficiente por parte dos deputados do país.
Apesar de ser visto como um dos responsáveis pelo desenvolvimento económico do Benim, Talon deixa um legado controverso. É acusado, pelos seus opositores, de ter operado uma viragem autoritária do país. Exemplo disso é a alteração constitucional, aprovada no mês passado, que alarga o mandato presidencial de cinco para sete anos. Os críticos consideram que é uma tentativa de tomar o poder pela coligação de Talon.