Oito obras do artista francês Henri Matisse e cinco de Cândido Portinari foram roubadas da Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, neste domingo (7). As telas de Matisse são consideradas uma raridade e fazem parte do álbum ‘Jazz’ de 1947, pertencente ao acervo da instituição. Já de Portinari são gravuras da obra ‘Menino de Engenho’.

As obras estavam expostas em destaque na mostra ‘Do Livro ao Museu’, feita em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo, que terminaria neste domingo, após dois meses da abertura.

O curador da exposição, Cauê Alves, afirmou em entrevista à CBN que as obras de Matisse estão entre as mais importantes da mostra.

‘É um grande destaque da exposição, estava na entrada da mostra. Essa obra foi concebida pelo Matisse durante a Segunda Guerra Mundial, num período já de velhice dele, já era um senhor, tinha passado por uma cirurgia de câncer e estava se recuperando. Ele não podia mexer com tinta, então ele fez com recorte de papel. Ele ficava recortando os papéis coloridos e depois fez uma colagem original e depois fez uma edição’.

2 de 2 Biblioteca Mário de Andrade em SP — Foto: Secom/PMSP/Divulgação

Biblioteca Mário de Andrade em SP — Foto: Secom/PMSP/Divulgação

Funcionários da recepção da Biblioteca Mário de Andrade disseram que dois bandidos armados entraram no museu usando macacões de serviço e anunciaram o roubo, revelando que estavam armados e rendendo os seguranças. De acordo com a polícia militar, a dupla fugiu a pé em direção ao metrô Anhangabaú. Não há registro de pessoas feridas.

A equipe da PM, que se encontrava nas proximidades, prestou auxílio aos funcionários e realizou patrulhamento, mas nada foi constatado até o momento. O álbum jazz de Matisse é considerado raridade. Em todo o mundo existem apenas 250 exemplares, numerados e assinados, e apenas dois estão no Brasil.

Cauê Alves, curador da exposição, explicou o contexto em que essa obra chegou ao acervo da Prefeitura ainda nos anos 40. Vamos ouvi-lo.

‘Ela é uma das obras mais importantes de um dos maiores artistas do século XX. Ela integrou um projeto de criação de coleções públicas e abertas de arte moderna no momento em que não tinha onde ver arte moderna. Se queria ver arte moderna nos anos 40, não tinha onde ver’.

O exemplar da Mário de Andrade, da série Jazz de Matisse, tem o número 102 e ele já havia sido furtado da instituição ainda nos anos 90. Em 2012, o álbum foi recuperado pela Polícia Federal na Argentina, passou para o Museu Nacional do Rio de Janeiro e em 2015 voltou para o acervo da Biblioteca Mário de Andrade. O roubo de hoje será investigado pela Polícia Civil.

A biblioteca ficará fechada nesse domingo e ainda não há previsão de reabertura, segundo os funcionários.

Em nota, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa informa que as obras expostas contam com apólice de seguro vigente, e que o local dispõe de equipe de vigilância, sistema de câmeras de segurança. Todo o material que possa servir à investigação está sendo fornecido para as autoridades policiais.