O futebol está cheio de histórias destas. Um jogador ainda imberbe começa a marcar muitos golos nas camadas jovens, destaca-se pelo mesmo motivo no seu primeiro clube “a sério”, é contratado ainda moço por um qualquer gigante europeu e depois frustra as expectativas e segue de empréstimo em empréstimo até ao ocaso final. E esta podia vir a ser também a história de Rasmus Hojlund. Mas o avançado dinamarquês de 22 anos está determinado a provar que a história dele será diferente. E neste domingo marcou os dois golos da vitória (2-1) do Nápoles sobre a Juventus, no jogo mais importante da 14.ª jornada da Liga italiana, em mais uma demostração da sua qualidade.

O clássico entre Nápoles e Juventus, curiosamente os dois próximos adversários do Benfica na Liga dos Campeões, colocava frente a frente o segundo e o sétimo classificados da Serie A. Cinco pontos separavam os dois emblemas antes do apito inicial, sendo que um triunfo dos napolitanos deixava os homens da Juventus a uma distância já considerável, enquanto o oposto permitia à “vecchia signora” acreditar que era possível lutar pelos lugares cimeiros da tabela.

Só que Hojlund fez questão de muito cedo deixar a Juventus em dificuldades, com um golo logo aos 7’. E quando a sua equipa sofria, depois de Yildiz (59’) ter reposto a igualdade, foi de novo Hojlund quem apareceu para resolver a partida, “bisando” (78’) e fixando o resultado final.

Foram mais dois golos na carreira do “gigante” dinamarquês, que já leva quatro golos e duas assistências nos dez jogos em que participou na Serie A. E se a análise se alargar a todas as competições, aquele que foi considerado futebolista do ano de 2023 na Dinamarca, já leva 11 golos e três assistências em 20 jogos — dois deles apontados ao Sporting, no triunfo dos napolitanos sobre os lisboetas na Liga dos Campeões deste ano.

Os números ganham ainda uma outra expressão quando são comparados, por exemplo com os de Bryan Mbeumo, o camaronês que é, por estes dias, o melhor marcador do Manchester United e que, para além de já ter 26 anos, soma sete golos e duas assistências em 20 jogos — e se a análise se centrar apenas na Premier League não revelam um desempenho muito diferente do exibido pelo jovem dinamarquês empurrado para fora de Old Trafford (cinco golos e uma assistência em 14 jogos).

Em 2023, o Manchester United de Erik ten Hag aceitou pagar à Atalanta 77 milhões de euros para ficar com Hojlund. Entregou-lhe a árdua tarefa de ser o “homem golo” de uma equipa que foi das piores da história dos “red devils”. Entretanto, chegou Ruben Amorim que deixou claro que o dinamarquês iria ter poucas oportunidades na equipa face à chegada de Sesko. Seguiu-se o empréstimo a título definitivo ao Nápoles, que pagou seis milhões de euros pela cedência com a obrigação de pagar mais 44 milhões no final da temporada caso se qualifique para a Champions.

E, por enquanto, Hojlund está a cumprir (é o mehor marcador da equipa) e a dar razão a Peter Schmeichel, ex-guarda-redes e figura respeitada no Man. United: “Hojlund é avançado para marcar 25 golos por época se for bem servido”.