O candidato, que falava aos jornalistas à margem de uma reunião com membros da Universidade do Algarve, em Faro, justificou-se dizendo que não seria na comunicação social que iria divulgar nomes e que se achasse que tinha havido um crime, faria a denúncia no sítio certo.

“Sim, foi mais que um caso. De candidaturas que já tinham sido assinadas e depois pediram para tirar a candidatura por pressão superior, se lhe posso chamar assim”, referiu, sem querer indicar nomes.

Numa entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias hoje divulgada, Henrique Gouveia e Melo já tinha denunciado também “uma pressão tremenda dos partidos” para que os seus membros se afastassem da sua candidatura, defendendo que “não podem usar o poder das estruturas do Estado para condicionar eleitores”.

O candidato criticou ainda o “compadrio” do sistema de partidos em Portugal, que diz que tem limitado os apoios públicos à sua candidatura que, insistiu, vem de fora do sistema. “Não estamos a viver numa democracia plena, estamos a viver numa democracia tribal. As pessoas não estão livres de decidir”, afirmou.

Questionado sobre como se pode inverter essas tentativas de condicionamento, o candidato a Belém referiu que é preciso “perceber verdadeiramente o que é a democracia”, argumentando tratar-se de uma questão cultural.

“[A existência de pressões] É cultural. Isto é um problema cultural. E nós temos que perceber que não podemos condicionar ninguém. Muito menos usar o poder, direto ou indireto, para condicionar opções. Quem não pensa assim não é verdadeiramente democrata”, concluiu.