No final do mês de outubro, Kelly Key usou as redes sociais para fazer um desabafo sincero sobre os desafios que enfrentou na saúde. Segundo a cantora, os contratempos começaram logo após o retorno das férias. À época, a artista disse ter lidado com uma sinusite forte.
“Mal a gente chegou das férias, peguei uma sinusite forte e fiquei 10 dias de antibiótico. Duas semanas depois, finalmente estava retomando o ritmo, empolgada com meus treinos, dieta nova, rotina, e tudo fluindo bem com o KIALA, nossos jogadores, nossos planos, a obra do ginásio. Inauguração… Tudo parecia voltar pro eixo […] Até que veio uma gastroenterite daquelas. Fiquei de cama quatro dias seguidos, e ainda arrastando os sintomas”, disse a famosa à época.
O que diz o médico especialista?
Para entender mais sobre o assunto, a CARAS Brasil entrevista o médico Dr. Paulo Reis, otorrinolaringologista graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com Título de Especialista em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da UFMG e em Medicina do Sono pela ABMS.
Segundo o profissional, a sinusite costuma começar como um quadro gripal, ou seja, uma infecção de causa viral. O nariz entope, pode ocorrer pressão na região do rosto e dor de cabeça, febre alta, secreção amarelada ou esverdeada, tosse, perda de olfato e sensação de peso facial que piora ao se abaixar.
“A grande maioria destes casos vai apresentar resolução espontânea dentro de 7 a 10 dias, pois são quadros virais e autolimitados, necessitando apenas de tratamento para aliviar os sintomas e trazer conforto ao paciente como analgésicos, anti-inflamatórios e descongestionantes, além da lavagem nasal com soro fisiológico em forma de sprays ou seringas que ajudam em muito a não deixar que o processo evolua. Nesta fase, ainda não há necessidade de uso de antibióticos. Se os sintomas persistirem além dos 10 dias ou ocorrer uma piora após o quinto dia, é sinal de que um médico deve ser procurado”, declara.
Quando a sinusite ascende um sinal de alerta?
O médico informa que, embora a maioria dos casos de sinusite evolua bem, há situações em que a infecção pode se espalhar para estruturas próximas, como os olhos ou o cérebro, tornando-se potencialmente perigosa.
“Quando o paciente apresenta inchaço e vermelhidão ao redor dos olhos, dor intensa na região da testa ou das maçãs do rosto, alterações na visão ou febre alta que não cede, é preciso procurar atendimento médico com urgência. Outros sinais de alerta são rigidez na nuca, confusão mental e sonolência excessiva. Esses sintomas indicam risco de complicações como celulite orbitária ou meningite, que exigem internação hospitalar e tratamento imediato”, esclarece.
Saiba mais sobre o tratamento
O tratamento da sinusite vai muito além do uso de medicamentos. Existem cuidados simples e muito eficazes que ajudam o corpo a se recuperar e aliviam o desconforto. Abaixo, o Dr. Paulo Reis lista alguns:
- “A lavagem nasal com soro fisiológico, por exemplo, é uma das medidas mais importantes, pois ajuda a eliminar secreções e desobstruir o nariz, melhorando a respiração”;
- “Manter-se bem hidratado também é fundamental, já que a ingestão adequada de líquidos deixa o muco mais fluido e facilita a drenagem;
- “O repouso permite que o organismo concentre energia na recuperação, enquanto ambientes ventilados e levemente umidificados reduzem a irritação das vias aéreas;
- “Compressas mornas no rosto ajudam a aliviar a dor e a pressão facial;
- “Além disso, evitar o cigarro, o ar-condicionado em excesso e as mudanças bruscas de temperatura contribui para uma recuperação mais rápida e confortável”.
Pode fazer toda a diferença
Segundo o médico, quando a sinusite passa a acontecer com frequência, é sinal de que há uma causa de base que ainda não foi resolvida. Entre os fatores mais comuns estão a rinite alérgica não controlada, o desvio de septo, a presença de pólipos nasais, infecções dentárias e até o refluxo gastroesofágico.
“Para prevenir que as crises voltem, é essencial tratar a causa principal e adotar hábitos que protejam o nariz e os seios da face. Manter a lavagem nasal como parte da rotina, controlar alergias, evitar irritantes ambientais e garantir uma boa hidratação são atitudes simples e eficazes. Dormir bem também tem um papel importante nesse processo: o sono de qualidade fortalece o sistema imunológico e ajuda o corpo a reagir melhor às infecções. Em alguns casos, quando há alterações anatômicas importantes, pode ser necessária uma avaliação cirúrgica para corrigir o problema e evitar novos episódios”, finaliza ao analisar casos como da cantora Kelly Key.
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CONFIRA UMA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CANTORA KELLY KEY NAS REDES SOCIAIS:
DR. PAULO REIS:
otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil. Membro da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem Título de Especialista em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da UFMG e em Medicina do Sono pela ABMS. CRM/MT 6693 | RQE 2579 | RQE 4114.