De máximo goleador e melhor jogador da Premier League em 2024-25, o intocável Mohamed Salah passou, numa semana, a “crónico” suplente de um Liverpool em crise.
O egípcio não aceita a “despromoção”, interpretando-a como uma forma de o treinador neerlandês Arne Slot encontrar o bode expiatório ideal para uma primeira metade de época desastrosa dos campeões ingleses, plasmada no nono lugar da Premier League, a dez pontos do líder Arsenal.
Parafraseando Salah, o internacional egípcio de 33 anos que em Agosto criticou a UEFA e em breve, quando integrar a selecção para disputar a CAN 2025 (começa a 21 de Dezembro), deixará de perturbar as decisões de Slot, estará a ser atirado para “debaixo do autocarro” à boleia dos quatro golos marcados em 13 aparições na Liga inglesa.
Palavras proferidas aos media ingleses na quarta vez em que acedeu falar, desde 2017, após 420 solicitações dos jornalistas, segundo as contas de Paul Gorst, correspondente do Liverpool Echo. Na verdade, Salah nem foi convidado a pronunciar-se. Foi o egípcio que não suportou mais, em silêncio, a humilhação… “convocando” os órgãos de comunicação social.
Assim, na sequência de mais uma ronda como mero espectador, a terceira consecutiva e segunda longe de Anfield sem direito a qualquer minuto de jogo, Salah rebentou. Como consequência, já não viajou para Milão, para o próximo compromisso do Liverpool, frente ao Inter, esta terça-feira, a contar para a sexta jornada da Champions.
Antes de riscar o nome de Salah, Slot reagiu de forma serena, na tentativa de reduzir o impacto de uma polémica que promete mais ondas de choque. Slot garantiu que o nome de Salah está sempre nas cogitações quando imagina o “onze”, seja como titular ou como suplente.
Desta feita, com o apoio dos responsáveis do clube e de inúmeras figuras, como Wayne Rooney, Slot riscou Salah da equação, sem saber ainda se voltará a contar com o avançado, cujo futuro poderá passar pelo futebol saudita.
O capitão dos “reds”, o também neerlandês Virgil van Dijk, veio, entretanto, a terreiro para sublinhar a importância e relevância do companheiro, até na liderança do grupo, lembrando, ao mesmo tempo, que “ninguém tem créditos ilimitados”.
Longe de poder eximir-se de culpas no descarrilamento do Liverpool, Van Dijk, que tem conseguido escapar a quase todas as críticas, lembrou que o Liverpool está acima de qualquer jogador.
Em queda livre no último mês, período em que foi de terceiro a 12.º para estabilizar no nono lugar, o Liverpool enfrenta agora uma rebelião, com Salah a dividir opiniões e a expor os “reds” a mais uma convulsão.
Com nove temporadas ao serviço do Liverpool – regressou em pleno a Inglaterra depois de “dispensado” em 2014-15 pelo Chelsea de José Mourinho, a Fiorentina e a Roma -, Salah construiu uma imagem a tocar o sagrado.
O “faraó”, inconformado com o banco de suplentes que Slot lhe reservou nos últimos três jogos do campeonato, desde a dupla humilhação caseira (0-3) frente ao Nottingham Forest e PSV Eindhoven (1-4), para a Liga dos Campeões, enfrenta o momento mais delicado da carreira, onde conquistou uma Champions (2018-19), um Mundial de Clubes (2019) e uma Supertaça Europeia (2019), com Jürgen Klopp, a que junta duas Premier Lueagues, três Taças da Liga de Inglaterra, uma Taça e uma Supertaça inglesas, para além de dois título de campeão suíço (2012-13 e 2013-14).
Em termos individuais, Salah foi duas vezes eleito jogador africano do ano (2017 e 2018), duas vezes melhor jogador da Premier League (2017-18 e 2024-25), competição em que venceu por quatro vezes o prémio de melhor marcador.