Charles Leclerc assumiu que a época de 2025 da Ferrari, marcada por fragilidades competitivas e pela ausência prolongada de vitórias, colocou a equipa perante um momento decisivo. Com a entrada em vigor de um novo regulamento técnico em 2026, o piloto monegasco considera que a Scuderia italiana enfrenta um período de “agora ou nunca”, no qual será essencial iniciar a próxima era com uma base sólida e imediatamente competitiva.

No derradeiro Grande Prémio da temporada, em Abu Dhabi, Leclerc ficou perto do pódio após uma corrida combativa. Chegou a pressionar Lando Norris nas voltas iniciais, mas não conseguiu concretizar a ultrapassagem, vendo o piloto da McLaren garantir o terceiro lugar e o seu primeiro título mundial. Ainda assim, Leclerc mostrou-se surpreendido com o ritmo revelado pela Ferrari em corrida, suficiente para obrigar a McLaren a reagir à sua estratégia de duas paragens.

A temporada, porém, ficou muito aquém das expectativas. Um ano depois de chegar à ronda final, ainda na luta pelo título, a Ferrari aterrava em Yas Marina já fora dos três primeiros do Campeonato de Construtores. Leclerc admitiu que a verdadeira dimensão da frustração só se instalou com a queda da bandeira de xadrez, concluindo uma época que descreveu como “muito difícil”.

O piloto sublinhou que a mudança regulamentar representa uma oportunidade única para a Ferrari redefinir o seu rumo. Considera, contudo, que será crucial apresentar um pacote competitivo logo no início de 2026, sendo as primeiras seis a sete corridas determinantes para perceber quais as equipas melhor posicionadas para dominar o novo ciclo técnico. Apesar de confiar no trabalho interno, Leclerc evitou comparar o nível de preparação atual com o de 2022, recordando que permanece uma grande incerteza relativamente ao progresso dos adversários.

“Não esperava que fôssemos tão rápidos, porque tivemos o mesmo ritmo que eles aqui. Tive poucas voltas e depois fiz a estratégia de duas paragens para colocar mais pressão na McLaren e tentar algo diferente. Mas o Lando limitou-se a copiar-me, por isso não foi muito entusiasmante. Acho que a estratégia de uma paragem era, de qualquer forma, a correta; eu queria apenas tentar algo diferente, sabendo que não o passaria com os mesmos pneus.”

“Durante a época, corrida após corrida, manténs a cabeça erguida e tentas não deixar que a desilusão te afete. Mas agora que tudo terminou, percebi que queria esquecer esta temporada, que foi muito dececionante. É difícil… se foi a pior ou não, não sei. Tento esquecer as emoções negativas o mais depressa possível. Mas, certamente, foi uma época muito complicada.”

“A equipa está extremamente motivada para o próximo ano, porque é uma mudança enorme, uma grande oportunidade para mostrar do que a Ferrari é capaz. E é agora ou nunca, por isso espero mesmo que comecemos esta nova era com o pé direito, porque isso será importante para os quatro anos seguintes.”

“Talvez não nas primeiras três ou quatro corridas, mas por volta da sexta ou sétima teremos uma boa ideia de quais serão as equipas que dominarão os quatro anos seguintes. Não sabemos onde estão os outros. Há demasiadas incógnitas. Prefiro não dizer nada e esperar pelas primeiras corridas do próximo ano para ver onde estamos. Até lá, o foco é o projeto e trabalhar da melhor forma possível.”