O narrador Galvão Bueno (74) foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após exames identificarem pneumonia viral assintomática em novembro. Na época, o comunicador precisou se afastar temporariamente do trabalho. Mas será que afastamento tem ligação com a idade?

Para explicar como práticas de longevidade consciente podem fortalecer o sistema imunológico e auxiliar em casos como o de Galvão Bueno, a CARAS Brasil conversou com a médica especialista em Longevidade Consciente e Saúde Mental Roberta França.

O que muda após os 70 anos?

Questionada sobre quais práticas podem fortalecer o sistema imunológico e diminuir riscos de complicações respiratórias em idosos, Roberta destaca a importância de alimentação, rotina e exposição solar. Segundo ela:

“Nós sabemos que o sistema imunológico do idoso é muito mais falho e muito mais comprometido. Então, quando a gente pensa no fortalecimento desse sistema imunológico, principalmente para reduzir os riscos de infecções respiratórias, nós precisamos falar da prática diária e regular de atividade física, porque a atividade física não só beneficia a parte motora, mas também a parte respiratória.”

A especialista reforça que o cuidado começa pelo prato: “Uma alimentação balanceada é fundamental, com fontes de vitaminas, proteínas e sais minerais, optando mais pelas proteínas do que pelos carboidratos, que são mais comuns entre os idosos. Ter frutas, legumes e verduras em abundância é fundamental.”

Ela lembra ainda que a hidratação costuma ser negligenciada nessa faixa etária: “A grande maioria não sente sede, então beber água, criar hábitos regulares de pelo menos um litro e meio a dois litros por dia ajuda muito a manter o sistema imunológico ativo, além de diariamente 15 minutinhos de sol.”

Emoções podem acelerar a recuperação de infecções

A médica também explica como fatores emocionais afetam o tempo de internação e melhora clínica:

“Não tenha dúvida de que, quando um idoso é hospitalizado, a grande angústia é o medo de não sair, de agravar ou de ficar muito tempo no hospital. Quanto mais tempo ele fica deitado, maior a perda de massa muscular, piora motora e aumento dos quadros de ansiedade e depressão.”

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Ela afirma que o apoio emocional é decisivo: “Quando o paciente tem propósito de vida, tem conexões sociais profundas, uma rede de apoio e um motivo para melhorar, essa recuperação se torna muito mais rápida. Inclusive, existem estudos mostrando como o tempo de hospitalização diminui quando o paciente tem propósito, rede de apoio, resiliência e fé.”

Como família e equipe podem acelerar a melhora no hospital?

A médica reforça que o ambiente emocional também influencia diretamente o quadro de saúde:

“O ambiente hospitalar, por si só, é um ambiente que causa angústia, medo e ansiedade. Então é muito importante que a família esteja atenta em trazer um ambiente o mais favorável possível.”

Roberta alerta que comentários negativos pioram o estado emocional:

“Evitar falas como ‘ele era tão saudável’ ou ‘ele já foi tão mais forte’, porque isso empurra a pessoa para um lugar de mais angústia. Falar com positividade, dizer ‘vai dar tudo certo’, ‘você está melhor hoje’, ‘tem muita gente te esperando lá fora’ ajuda a levar a situação com leveza.”

E conclui lembrando que o paciente percebe todo o entorno: “Mesmo quando você acha que o paciente não está ouvindo, ele está atento. Alguns comportamentos mais atrapalham do que auxiliam. A positividade, o respeito e a empatia precisam estar sempre presentes, mostrando que existem possibilidades e que a recuperação vai acontecer, não no tempo dele, mas no tempo que tem que ser.”

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Dra. Roberta França

Dra. Roberta França é médica geriatra e psiquiatra (CRM: 52744859), com 22 anos de formação pela Universidade Gama Filho. É pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Estácio de Sá e em Psiquiatria. Membro da Comissão de Direito da Pessoa Idosa (OAB/RJ), integra também a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e a Sociedade Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica. Professora da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer) e palestrante em temas voltados à medicina geriátrica e psiquiátrica, é idealizadora do projeto social Cantinho da Geriatria, que impacta mais de 250 mil pessoas com conteúdo diário para a terceira idade nas redes sociais. Coautora do livro Estratégia de Vencedores, foi condecorada com a Medalha Pedro Ernesto e homenageada com Moção Honrosa pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelos relevantes serviços prestados aos idosos. Em 2023, foi reconhecida como Medicina Destaque pela mesma instituição.