Wavebreakmedia / ShutterstockAvaliação e mapeamento de pintas devem ser realizados uma vez por ano, indica especialista.Wavebreakmedia / Shutterstock

Com a chegada do verão, em 21 de dezembro, o aumento das temperaturas e da exposição ao sol reforça a necessidade de cuidados com a pele. A campanha Dezembro Laranja alerta para a prevenção do câncer de pele por meio de hábitos básicos que reduzem o risco da doença.

Considerado o tumor maligno mais frequente no Brasil, o câncer de pele representa cerca de 30% de todos os diagnósticos da doença no país. De acordo com a especialista em dermatologia Adines Nardi, o câncer de pele se divide em dois grupos: o melanoma, mais agressivo e responsável por aproximadamente 3% dos casos, e os não melanoma, que correspondem aos outros 27%.

— O câncer não melanoma também é um câncer maligno, mas não é oriundo das células da melanina, como o melanoma. Infelizmente, o melanoma ainda mata e muito pela questão do diagnóstico tardio — pontua. 

Fatores como pele clara, histórico familiar, doenças cutâneas prévias, exposição solar intensa e uso de câmaras de bronzeamento — que são proibidas — aumentam o risco. Face, orelhas, colo, ombros, dorso e braços são as partes do corpo mais expostas ao sol no dia a dia e, consequentemente, as mais afetadas.

Adines reforça que a proteção solar deve fazer parte da rotina, inclusive de quem passa o dia em ambientes internos:

— As pessoas falam que trabalham em local fechado, mas as lâmpadas têm radiação ultravioleta que é um fator de risco. O mais prático é: acordar de manhã, lavar o rosto e passar protetor. Quanto maior o FPS, melhor. No corpo, tem que ser no mínimo 30. Para o rosto, que também tem o cuidado com o fotoenvelhecimento, rugas, linhas e manchas, no mínimo 50. 

A especialista recomenda que a aplicação do protetor seja realizada de três a quatro vezes ao dia. Em casos de piscina ou mar, é necessário reforçar a proteção sempre que houver contato com a água. 

Além do protetor solar, chapéus, bonés, roupas com proteção UV e até produtos específicos para o cabelo entram na lista de cuidados. Os horários mais seguros para exposição direta ao sol seguem sendo antes das 9h e após as 16h.

Autocuidado e diagnóstico precoce

Elena Shchipkova / Deposit PhotosProtetor solar deve ser aplicado na pele todos os dias, principalmente em regiões mais expostas ao sol.Elena Shchipkova / Deposit Photos

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realizada neste ano reforça o papel do autocuidado e do check-up anual com especialistas: 90 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais (54% da população) nunca consultaram um dermatologista.

A entidade alerta para a falta de acesso à dermatologia no Brasil. Em atendimento nacional realizado pela SBD em 2024, 62,51% dos entrevistados disseram se expor ao sol sem proteção, enquanto apenas 31,63% utilizam protetor solar regularmente. 

— Quando não tiver lesões, a orientação é ir ao dermatologista uma vez ao ano, para fazer avaliação e mapeamento das pintas e lesões que possam dar problema. Mas, se houver lesão que seja estranha, coce, mude a coloração ou que esteja aumentando de tamanho, a procura deve ser imediata — recomenda a especialista.

Para a médica, reconhecer os sinais suspeitos é fundamental. Ela orienta o uso do método ABCDE como triagem doméstica:

  • A de assimetria: quando metade da pinta não é igual à outra;
  • B de bordas: irregulares, assimétricas ou mal definidas;
  • C de cor: múltiplas tonalidades na mesma lesão (marrom, preto, avermelhado e azulado, por exemplo);
  • D de diâmetro: maior que 6 milímetros merece atenção;
  • E de evolução: mudanças de formato ou tamanho ao longo do tempo.

— Ninguém conhece melhor as próprias pintas do que o próprio paciente — ressalta. 

O tratamento mais comum é a cirurgia, com altos índices de cura quando o diagnóstico é precoce. Nos casos de melanoma, podem ser necessários tratamentos adicionais como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo.

Diagnóstico inesperado

Em setembro de 2024, Ivo Bisinella descobriu um melanoma aos 80 anos. Foi a filha quem percebeu algo estranho nas costas do pai: uma pinta que “parecia uma roseta” e que coçava.

No dia seguinte, ele procurou uma dermatologista, que retirou a lesão e a encaminhou para análise. O laudo chegou em 18 de setembro: melanoma.

— Foi meio triste quando recebi a notícia. Tive muito medo na hora. Fiquei meio abalado. A gente fica, né? — relembra. 

No dia seguinte ao diagnóstico, ele procurou um oncologista em Passo Fundo. Através de exames, descobriu a doença em outras partes do corpo e passou por duas cirurgias para a retirada dos tumores.

Atualmente, Bisinella faz acompanhamento trimestral com exames e revisões. O protocolo deve seguir pelos próximos cinco anos.

Mitos e verdades

Julio Cavalheiro / Agencia RBSDias nublados também podem queimar a pele. Julio Cavalheiro / Agencia RBS

GZH: Existe bronzeado seguro?

Adines Nardi: Nós precisamos do sol, até pela síntese da vitamina D. Mas, ele tem que ser usado com cautela, como quase tudo na vida. O horário é antes das 9h e depois das 16h, e com proteção. As pessoas pensam que, passando protetor, não vão bronzear, mas bronzeiam. O protetor vai evitar a radiação ruim. 

GZH: Qual é o melhor horário para a síntese de vitamina D?

Adines Nardi: O melhor horário para a síntese de vitamina D é o pior horário do sol para a pele, que é ao meio-dia. O que geralmente recomendamos é pegar sol de 5 a 10 minutos nas extremidades do corpo, como nas pernas, por exemplo, e evitar regiões como face e colo.

GZH: Protetor com cor protege mais?

Adines Nardi: Não é que eles sejam melhores na proteção. Pelo fato de ter o pigmento, que age como uma proteção física, na prática, a gente considera quatro a mais. Então, se você usa um protetor com fator 50 e com cor, a gente considera que tem 54 de proteção. O pigmento age como filtro físico.

GZH: Bebês e idosos têm algum tipo de restrição quanto ao uso do protetor solar?

Adines Nardi: Em bebês, o uso do protetor solar é a partir dos seis meses. Antes disso, o ideal é evitar a exposição ou usar proteção física, as roupinhas e chapéus. E os idosos têm que usar muita proteção, porque a pele já é senil, com hidratação menor. Então, o dano clínico já está ali e é mais fácil de desenvolver cânceres.

GZH: Dias nublados também podem queimar a pele?

Adines Nardi: Sim. Em dias nublados, essa radiação ultravioleta passa pela nuvem. As pessoas acreditam que, por não ter sol, não precisa passar protetor, mas precisa. 

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