O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou esta segunda-feira, 8 de dezembro, que a Europa não pode aceitar uma “ameaça de interferência” na sua vida política, após a divulgação da nova estratégia de segurança dos EUA, que critica os europeus.
“O que não podemos aceitar é esta ameaça de interferência na vida política da Europa”, declarou António Costa, numa intervenção no Instituto Jacques Delors, salientando que “os Estados Unidos não podem substituir os cidadãos europeus na escolha de quais são os bons partidos e os maus partidos”.
A Administração norte-americana, liderada pelo presidente Donald Trump, divulgou na sexta-feira um documento que redefine a sua “Estratégia de Segurança Nacional”, na qual a deixa um aviso sobre o risco de “extinção civilizacional” da Europa.
Segundo a agência France-Presse, o documento, muito aguardado, formaliza a ofensiva lançada por Washington contra o continente europeu há meses.
“Caso as tendências atuais persistam, o continente [europeu] estará irreconhecível daqui a 20 anos ou menos”, refere o documento, no qual é defendido a “restauração da supremacia” dos EUA na América Latina.
Entre outros alvos da Administração norte-americana, estão as instituições europeias que alega minarem “a liberdade política e a soberania”, as políticas migratórias, a “censura à liberdade de expressão e a repressão da oposição política, o colapso das taxas de natalidade e a perda das identidades nacionais e da autoconfiança” na Europa.
“Temos diferenças nas nossas visões do mundo, mas isto vai para além disso. Esta estratégia continua a falar da Europa como uma aliada, mas, se somos aliados, devemos agir como aliados” e respeitar a soberania uns dos outros, defendeu António Costa.
Para o presidente do Conselho Europeu, “os Estados Unidos continuam a ser um aliado importante, os Estados Unidos continuam a ser um parceiro económico importante”.
“Mas a nossa Europa tem de ser soberana”, concluiu.