Sem mãos, sem pés, sem dentes. Sem Pedro Gonçalves, sem Quenda, sem Trincão – e, espera o Sporting, “com dentes”. Se o Bayern-Sporting da Liga dos Campeões (17h45, SPTV5) for uma anedota popular, então os “leões” quererão fugir da infeliz sina do Joãozinho aventureiro numa bicicleta.

“Mãe, olha! Agora sem Trincão” será o grito final da equipa de Rui Borges, que para este jogo provavelmente já contaria não ter Quenda e, possivelmente, não ter Pedro Gonçalves.

Para os “leões”, estas ausências por lesão significam entrar em campo sem aquele que é, em teoria, o melhor trio de apoio ao avançado, o que reduz a capacidade ofensiva para poder jogar em Munique. E esta é a má notícia.

A boa notícia é que este jogo permite percalços. O Sporting está neste momento no oitavo lugar da Liga dos Campeões, em posição não só de seguir em frente, mas de saltar directamente para os oitavos-de-final. Há, nessa medida, espaço para não ver o desafio em Munique como um tudo ou nada – até porque ainda há um desafio com um Bilbau pouco feliz na Champions até agora.

Por este motivo – e também pelas lesões e pelo histórico de Rui Borges –, é provável que o Sporting apresente um “onze” bastante diferente do habitual no campeonato. No fundo, não será nova a ideia de o Sporting ver a Champions como uma prova secundária – pelo menos a avaliar pelas escolhas em várias partidas.

As bolas longas

Para este jogo há algumas tendências interessantes. Uma diz-nos que o Bayern é a terceira equipa da Champions com menos duelos aéreos ganhos, o que pode significar uma de duas coisas (ou ambas): ou é uma equipa fraca nesse capítulo do jogo ou é uma equipa que não permite que os jogos vão para esse perfil de duelos.

Outro dado relevante é que o Bayern é a equipa com mais bolas longas de sucesso por jogo e a sétima com mais bolas longas tentadas. E o Sporting é, das 36 equipas em prova, a quarta que menos bolas longas permite aos adversários.

Estes dados conflituantes podem trazer uma dinâmica divertida para este jogo, já que o Bayern procura explorar o ataque ao espaço e o jogo directo para Kane, forte a segurar de costas para a baliza adversária. Já o Sporting é a equipa da Champions que maior percentagem do tempo passa no terço central do campo – o que sugere que não pressiona alto, mas também não recua demasiado a linha defensiva.

Vincent Kompany, treinador do Bayern, abordou um pouco destes traços na antevisão do jogo: “É uma equipa que é muito compacta quando tem de defender na zona intermédia. Têm uma linha defensiva muito activa, que pressiona constantemente e diminui o espaço para a bola”.

Apesar destes dados que sugerem espaço de manobra aos “leões”, há outros que sugerem problemas. Um remete para o poder ofensivo do Bayern, que é a segunda equipa com mais golos esperados e com mais oportunidades claras de golo criadas.

Outro dado diz-nos que na distribuição das zonas preferenciais para atacar o Bayern não aparece no topo de nenhum dos três corredores: significa que distribui muito o seu jogo e consegue criar jogadas um pouco por todo o lado – ao contrário, por exemplo, do próprio Sporting, que faz 40% dos ataques pela direita.

Tudo a ver Munique

Uma solução para o Sporting, até pelas ausências que tem, seria o regresso a uma não muito habitual – embora não inédita – linha de cinco defesas.

A nível estratégico, o Bayern deverá manter a habitual pressão com referências individuais a campo inteiro, outro factor que pode seduzir Rui Borges a ter uma solução adicional para sair a jogar – mais uma linha de passe atrás obriga o Bayern a mover um jogador a mais para a pressão.

Mas ter um jogador a mais na saída de bola não é, por si só, um factor que resolva problemas – possivelmente vai fazer a equipa ter bola em zonas mais recuadas e mais fluidez na saída, mas depois ter menos gente para manter a bola na zona de criação.

Garantido, segundo Rui Borges, é que a equipa vai ser submetida a um bloco mais baixo. “Em alguns momentos vamos estar em bloco mais baixo e momento mais defensivo”, disse na antevisão do jogo. E acrescentou: “Claramente não somos favoritos a ganhar. Já não o éramos com a equipa toda disponível. Estaria a ser hipócrita se dissesse que vínhamos aqui dividir 50/50. Esqueçam isso, não é 50/50”.

Por fim, outra boa notícia: toda a Europa pode ver o Sporting em Munique. O desafio está agendado para as 17h45 e é o único na jornada da tarde: o Kairat-Olympiakos, por se jogar num fuso horário muito oriental, está marcado para as 15h30 de Portugal continental.