Cleiton Tosetto é diretor de serviços da Vestas, empresa dinamarquesa que é referência para o segmento no Brasil e no mundo.
Nascido em Dois Vizinhos, na Linha Ibiaça, Cleiton Tosetto, de 42 anos, é, atualmente, um nome de referência no mercado de energia eólica no Brasil. Filho de Olívio Tosetto e Ironilde Piva Tosetto, ele é tecnólogo em mecatrônica formado na UTFPR de Pato Branco, ele iniciou seus trabalhos no setor em 2007 na cidade de Palmas. De lá pra cá, foi crescendo na carreira e atualmente é o representante de serviços no Brasil da Vestas, que é a maior fabricantes de turbinas eólicas do mundo. Cleiton lembrou sua história. “Eu comecei com 16 anos na Latreille e ali aprendi muitas lições. O grupo me abriu portas, não entendia nada no mercado que eles trabalhavam, então agradeço muito. Fiquei seis anos lá. Paralelamente, eu fiz a faculdade em Pato Branco e acabei também fazendo um estágio na Eletrônica Real, o Tadeu me abriu as portas e é fácil olhar pra trás e conectar os pontos e é difícil olhar para frente e conectar os pontos. Eu procurei ele, pedi para trabalhar, ele disse que não tinha lugar, pediu para esperar um pouco. Passou duas semanas, fui lá, comecei e fiquei cerca de seis meses, mas foi muito bacana. Em seguida, quando fui fazer a entrevista para trabalhar no parque eólico de Palmas, tinha apenas uma vaga e muita gente de todo o Paraná, de Santa Catarina estava buscando a vaga. Eram muitos engenheiros bem formados, com línguas e eu era tecnólogo, mas acabei chamado para a única vaga que tinha. Aí eu até fiquei incomodado: por que eu fui chamado? Depois eu fui perguntar para as pessoas que me selecionaram e elas falaram que eu era a única pessoa que tinha experiência prática, então, o estágio que o Tadeu me concedeu um tempo antes, abriu as portas para esse mercado. Hoje sou empresário e executivo e sempre busco dar oportunidade, dentro da Vestas, abrindo portas para jovens que um dia vão construir uma carreira muito maior”, explica.
Cleiton falou sobre sua carreira. “Eu comecei em 2007 e no final de 2010 eu fui para Fortaleza (CE), aí fui crescendo, comecei como especialista de manutenção, em 2011/12 trabalhei e estudei nos EUA, também tive experiências na Europa e América Latina e, há cerca de oito anos, assumi a posição de responsável pela operação da Vestas no Brasil. Hoje é uma operação que gera 1 mil empregos diretos em mais de 70 cidades, temos um faturamento de centenas de milhões anuais dentro desse departamento e empregamos pessoas em cidades pequenas no interior do Nordeste. É um mercado que, quando eu entrei, tinha 100 pessoas, mas cresceu cerca de 10 vezes. Éramos a quinta no Brasil, hoje somos a primeira, sempre fomos a primeira do mundo, uma grande empresa que, de alguma forma, nos dá energia limpa e uma atuação bem bacana nas cidades, tentando abrir as mesmas portas que foram abertas para mim no passado. Comecei operando e fazendo manutenção de turbinas e fui crescendo, foram uns 15 passos até chegar onde estou, líder, supervisor, coordenador, gerente, gerente sênior, diretor, diretor sênior, são 18 anos construindo a carreira”, explicou.
Evolução
Ele falou sobre como eram as turbinas no começo da carreira e agora. “Hoje temos turbinas de todos os tamanhos, quando comecei era baixinho, cerca de 40 metros. As máquinas eram de 400, 500, 600 quilowatts. Meio mega. Hoje, as menores que trabalhamos são de 4 megawatts, ou seja, oito vezes maior. Estou falando de Brasil, porque já temos turbinas de até 7 megas, ou seja, 14 vezes maior em potência instalada. Por que cresceu tão rápido? Porque com turbinas maiores, precisa de menos equipamentos para rentabilizar projetos”, destacou.
E o vento de Palmas? “Ele é bom, mas não é tão competitivo quanto do Nordeste do Brasil. Ele é semelhante a Europa, mas é que os ventos do Nordeste, Rio Grande do Norte e Bahia, são ventos muito bons e isso não é dizer vento forte, é vento constante na velocidade certa. Você tem períodos de vento onde a turbina opera 100% do tempo. O vento fica sempre entre 12, 15 metros por segundo, não com rajadas. O vento de Palmas não é ruim, mas competir com o Nordeste e até com o Rio Grande do Sul é muito difícil ainda”, diz.
A empresa atua em todo o Brasil. “Eu tenho equipes no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, mas a base principal é na Bahia e Rio Grande do Norte. Os projetos são gigantes, o último que fechamos é de 1,3 gigawatts com cerca de 250 turbinas. O mercado hoje exige que tenhamos escala para ser competitivo com outras energias. Nossa principal turbina é a AV150, com um rotor de 150 metros e uma pá de 75, 76 metros. A base tem 20 metros quadrados e a distância entre as turbinas é de, nesse caso, 300 metros. Você pode ter plantação e outras coisas entre elas, mas precisa dessa distância para uma não atrapalhar a outra. Nós temos dois negócios principais, desenvolvemos e fabricamos a turbina, instalamos e mantemos por um período longo já que o equipamento tem alta complexidade técnica e fazemos a manutenção por cerca de 25 anos. Temos uma fábrica no Ceará e atuamos com vários ramos de pesquisa, nos colocamos como a empresa mais sustentável do mundo e nosso ramo é a energia eólica”, completa.
Encontro de família
Cleiton vem para Dois Vizinhos todos os anos para rever familiares. “Meus avós, minha família Tosetto, veio para o Rio Grande do Sul no final do século 19, início de 20. Meus avós vieram em dezembro de 1953 para Dois Vizinhos e, em 1959, se instalaram no Ibiaça que é onde a família reside até hoje. Meus avós nos deixaram há alguns anos e quando os avós se vão, é comum que cada um siga sua vida separadamente e temos um trabalho bem legal da família, liderada por alguns dos meus tios, que é buscar reuniões anuais, como sempre fizemos, desde que fui criança. Continuamos confraternizando, com tios, netos, bisnetos e tataranetos, mantendo a tradição dos Tosettos no Ibiaça”, conclui.
Fonte: Portal Educadora