O Encontro Anual do Programa de Pesquisa Translacional Fio-Chagas – Edição especial 25 anos, realizado em 25 de novembro, reuniu pesquisadoras e pesquisadores da rede em uma roda de conversa comemorativa sobre os marcos da trajetória da Fio-Chagas. Organizada pelo Programa de Pesquisa Translacional (PPT), a atividade destacou três fases da história da rede: a criação – no Programa Integrado de Divulgação Científica, depois no Programa Nacional de Doença de Chagas, o fortalecimento e o momento pós-pandemia.

Participaram da mesa de abertura o coordenador científico do PPT, Wim Degrave, e Daniele de Castro, da coordenação da Fio-Chagas. Wim comentou as mudanças trazidas pelos exames sorológicos e pelo controle da doença de Chagas junto ao Ministério da Saúde, enquanto Daniele lembrou o início do programa e sua evolução até a consolidação da rede Fio-Chagas.
 

Membros do Fio-Chagas
Encontro aconteceu no auditório do Pavilhão Arthur Neiva do Instituto Oswaldo Cruz – IOC/Fiocruz (foto: Plínio Quirino)

 

Constança Britto, também coordenadora da rede, retomou o período inicial (2000–2011), marcado pela inspiração no modelo de integração do HIV, pela adesão de lideranças em cinco grandes temas (diagnóstico, tratamento, fisiopatologia, vetores e ambiente) e pela entrada das associações de pessoas afetadas — um passo decisivo para construir um legado institucional. Também foi lembrada a produção de livros e materiais que registram a trajetória do programa.

O segundo período (2012–2014) foi associado ao fortalecimento organizacional, à ampliação de financiamentos, à aproximação com o Ministério da Saúde e a um maior foco nas necessidades dos pacientes. A rede também avançou no apoio às associações de pessoas que convivem com a doença de Chagas e na expansão de projetos como Celênio, Integra Chagas e Cuida Chagas, que hoje têm papel importante em diferentes estados, lembrou a diretora do IOC, Tânia de Araújo-Jorge. “É preciso manter a força deles”, afirmou.

O período recente (2020–2025) foi descrito como etapa de persistência, com avanços como o portal Fio-Chagas, o mapeamento dos postos de informação dos triatomíneos (PITs) e a ampliação do diálogo com pessoas afetadas — atualmente mais articuladas e ativas. A rede reafirmou a relevância de garantir acesso a diagnóstico e medicamentos, ampliar a participação social e enfrentar desafios emergentes, como o cuidado a imigrantes com doença de Chagas.

No debate, destacaram desafios atuais, como o desempenho de testes rápidos em diferentes regiões do país, a importância da padronização de dados, e a defesa da autonomia pública na produção de medicamentos. Houve consenso sobre a necessidade de atualizar currículos médicos e de fortalecer a articulação entre vigilância, atenção primária e associações.

O encontro encerrou-se com uma mensagem gravada pela vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, Alda Maria da Cruz, que destacou a relevância da rede e o trabalho com as pessoas afetadas pela doença de Chagas. Também foram exibidos vídeos com depoimentos de representantes da OMS, Pedro Albajar; do Ministério da Saúde, Rafaella Albuquerque; e da Federação Internacional de Associações de Pessoas Afetadas pela doença de Chagas, Cristina Carrozzone. Eles ressaltaram o papel do Fio-Chagas, principalmente nas colaborações nacionais e internacionais, voltado para atender às demandas da sociedade e do SUS em relação à enfermidade.