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“Funcionam tão bem como os tradicionais. São um modelo de banco e de uma sociedade mais sustentável e mais justa”.

Não são milhares como os tradicionais, mas existem: há 24 bancos éticos na Europa. Espanha, França, Itália, Alemanha, Países Baixos, Reino Unido, Bélgica e Grécia. Todos têm bancos éticos.

“Uma vez demonstrado que os bancos éticos funcionam tão bem como os tradicionais, podemos considerar a ideia de que representam não só um modelo de banco, mas também de uma sociedade mais sustentável e mais justa”.

As palavras são de Simone Siliani, diretor da Fondazione Finanza Etica: “O investimento em combustíveis fósseis, por exemplo, envolve certamente mais riscos a médio e longo prazo e mais conflitos. É por isso que as finanças éticas são também uma fonte de estabilidade. E como a finança se alimenta da poupança, incluindo a poupança dos pequenos, todos podemos fazer a diferença”.

O Euronews explica: os bancos éticos são uma forma importante de crédito alternativo. Aparecem sobretudo em setores pouco apoiados pelas instituições tradicionais, como as microempresas.

Não seguem o princípio de ter lucro a qualquer curso; há critérios de exclusão e uma das prioridades é apoiar a economia social.

Sobre os critérios de exclusão: não financiam os negócios de armas, dos combustíveis fósseis, do jogo ou do tabaco.

Quem apoiam: cooperativas sociais, centrais eólicas e solares, organizações não governamentais, agricultura biológica e sustentável. Chegam a setores onde os bancos tradicionais nem sempre chegam.

Sim, também têm relações bancárias clássicas: contas correntes para particulares e empresas, empréstimos e hipotecas.

O recente relatório Ethical Finance in Europe mostra que, em 2023, os bancos éticos geriam ativos de 79 mil milhões de euros. É um óbvio sinal de crescimento já que, cinco anos antes, os ativos eram de 51 mil milhões de euros.

Um número destaca-se: o rácio de empréstimos em relação aos ativos é 67,91% – é maior do que o rácio de 60,9% dos bancos tradicionais. Ou seja, os bancos éticos cedem mais créditos do que os tradicionais.

Ao mesmo tempo, há menos créditos não produtivos (hipotecas, empréstimos por reembolsar) nos bancos éticos (1,61%) do que nos bancos tradicionais (1,89%).

A rentabilidade global de uma atividade foi de 0,75%; novamente superior aos tradicionais: 0,64%.

Portanto, todos estes números “confirmam que os bancos éticos são pelo menos tão sólidos quanto os outros”, resume Mauro Meggiolaro, analista da Fondazione Finanza Etica e um dos autores do relatório.

Mais de 70% dos empréstimos concedidos pelos bancos éticos europeus seguiram para a economia social – contra apenas 19% dos grandes bancos.

Segundo Peru Sasia, presidente do Febea, Federação Europeia dos Bancos Éticos e Alternativos, o relatório “desfaz o mito de que as finanças éticas representam um nicho e demonstram que é possível um modelo alternativo de intermediação, baseado em capital de qualidade, crédito para famílias e empresas e avaliações sociais e ambientais. É um modelo que já existe. Que está a funcionar. Que produz estabilidade financeira e benefícios concretos para as comunidades”.

Os bancos éticos também pensam no ambiente: consomem menos de metade da energia por empregado; 90% da energia que utilizam vem de fontes renováveis – e nos bancos tradicionais essa percentagem é 65,4%.

São menos, claro, com menos sucursais, organizações mais simples e mais próximos uns dos outros.

Portugal não tem qualquer banco ético.


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