
“A editar as minhas fotos para recuperar o meu dinheiro no DoorDash”… (À esquerda: foto real. À direita: foto editada com IA)
A tecnologia da IA está a ser utilizada para manipular as fotos dos produtos, com os clientes a alegar que as encomendas chegaram danificadas e a exigir reembolsos de forma fraudulenta.
As plataformas de comércio eletrónico chinesas estão a notar um aumento de pedidos fraudulentos de reembolso, impulsionados pela inteligência artificial (IA). Os consumidores estão a enviam imagens geradas por IA de produtos danificados para receber o dinheiro de volta.
O problema intensificou-se durante o festival de compras Double 11 deste ano, em novembro, quando vários comerciantes online relataram ter recebido fotografias manipuladas que supostamente mostravam fruta bolorenta, canecas rachadas ou roupas rasgadas.
Alguns compradores afirmam tirar fotografias reais dos artigos que recebem e utilizar ferramentas de IA para as alterar digitalmente.
Um vendedor de fruta disse que os clientes usaram a IA para transformar fruta fresca em fruta podre, enquanto um vendedor de escovas de dentes elétricas recebeu uma imagem de uma escova de dentes editada para parecer enferrujada.
“Vêm ter comigo com problemas que vão contra o bom senso”, disse o lojista ao South China Morning Post.
Uma retalhista de vestuário relatou um caso em que uma cliente solicitou o reembolso total de um vestido, alegando que a gola estava desfiada. A fotografia anexa, no entanto, mostrava sinais reveladores de alteração por IA, como iluminação inconsistente e margens artificiais, o que levou a equipa a rejeitar o pedido.
Noutro incidente, um vendedor de canecas reparou que, apesar da embalagem segura, um comprador enviou uma fotografia de uma caneca com fissuras que se assemelhavam a teias de aranha. Quando lhe foi pedido que apresentasse provas em vídeo, o comprador retirou rapidamente a reclamação.
Um detetor de IA sugeriu posteriormente uma probabilidade de 92% de que a imagem fosse artificial.
Os vendedores afirmam que as regras existentes favorecem muitas vezes os consumidores, facilitando o abuso do sistema por pessoas mal-intencionadas.
Em resposta às crescentes preocupações, as principais plataformas chinesas, incluindo a Taobao e a Tmall, eliminaram a opção de “apenas reembolso” no início deste ano e introduziram um sistema de classificação de crédito do comprador com base no histórico de compras, nos padrões de reembolso e no feedback do vendedor.
O fenómeno não se cinge à China, com vários norte-americanos a usar o mesmo método com comida entregue em casa através de plataformas como a DoorDash e alguns até a justificar a prática por terem ficado sem vales para comprar comida durante a paralisação do Governo.
Editing my pictures so I can get my money back on DoorDash pic.twitter.com/lLLqB4rJWI
— ☢ (@King_Sukunaaa) April 4, 2025
Mas as empresas não são as únicas a fazer um mau uso da IA: alguns comerciantes também utilizam ferramentas generativas para embelezar anúncios de produtos, criar modelos virtuais ou fabricar fundos, de acordo com especialistas do setor. Há até já vários relatos deste tipo de situações no ramo imobiliário.
A China também implementou novas regras de identificação de IA a 1 de setembro, exigindo a rotulagem explícita e implícita dos conteúdos gerados por IA.
Algumas plataformas implementaram detetores de IA para sinalizar imagens sem etiqueta, embora os especialistas afirmem que a precisão ainda é um desafio devido à rápida evolução das tecnologias generativas.