A Dinamarca classificou os Estados Unidos como uma potencial ameaça à segurança pela primeira vez, de acordo com um relatório anual divulgado por uma das suas agências de informações, oferecendo mais provas de uma aliança atlântica cada vez mais tensa entre a Europa e os EUA.
O relatório, compilado pelo Serviço de Informações de Defesa Dinamarquês (DDIS), alerta que os EUA “usam o poder económico, incluindo ameaças de altas tarifas, para impor a sua vontade e não descartam mais o uso da força militar, mesmo contra aliados”.
Esta avaliação faz parte de uma análise mais ampla do serviço, segundo a qual “as grandes potências dão cada vez mais prioridade aos seus próprios interesses e usam a força para atingir os seus objetivos”.
A CNN contactou a Embaixada dos EUA em Copenhaga e o Gabinete do Diretor Nacional de Informações em Washington DC para obter comentários.
Além do aviso relativo aos EUA, o relatório centra-se principalmente nas ameaças estratégicas representadas pela Rússia e pela China, bem como na instabilidade provocada pela ascensão da China e na consequente mudança global no equilíbrio de poder.
O relatório salienta que “a ameaça militar da Rússia à NATO irá aumentar”, uma preocupação ampliada para os dinamarqueses, uma vez que “existe incerteza sobre o papel dos Estados Unidos como garante da segurança da Europa”.
A relação normalmente amigável da Dinamarca com o seu aliado da NATO ficou tensa no início deste ano, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou interesse em assumir o controlo da Gronelândia, uma ilha autónoma, rica em recursos e estrategicamente importante no Ártico, que legalmente faz parte do reino dinamarquês.
Embora Trump não tenha voltado a abordar essa ideia há meses, ela sinalizou a sua vontade de enfatizar a relação dos EUA com os seus parceiros europeus após décadas de cooperação estreita desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Essa relação está novamente sob escrutínio, uma vez que as diferentes prioridades estratégicas dos EUA e da Europa foram expostas nas recentes negociações de paz na Ucrânia e, de forma mais dramática, na estratégia de segurança nacional divulgada na sexta-feira pela administração Trump, que adotou uma postura de confronto sem precedentes em relação à Europa.
E para a Dinamarca, as ameaças representadas pela Rússia e pelos EUA estão interligadas. O relatório argumenta que “a Rússia tentará explorar o desejo dos EUA de um rápido fim da guerra (na Ucrânia) para semear a divisão entre os EUA e a Europa”.