Para a arquiteta pernambucana Cecília Lemos, a estética minimalista se difundiu com a internet. “Essa linguagem visual ‘uniforme’ aparece bastante nas redes sociais, e as pessoas passam a reconhecê-la como um caminho seguro para construir.” Autora de projetos multicoloridos e cheios de arte popular, Cecília lamenta essa homogeneização. “Nossa identidade arquitetônica é tão plural: está no nosso sangue, no nosso clima, nas nossas cores. Estamos perdendo a oportunidade de trazer a verdade brasileira para dentro das casas. Arquitetura é para causar emoção. Fazer se sentir vivo”, diz, ao passo em que lista suas saudades. “Sinto falta, por exemplo, de soluções como cobogós, varandas generosas, arcos, alpendres, pé-direito que respira e do uso de materiais que carregam história: madeira, pedra natural, cerâmica, ladrilho hidráulico, palha, texturas que conversam com o clima e com o toque. Esses elementos não são apenas estéticos; eles criam conforto, pertencimento e uma relação afetiva com o espaço.”