Um sismo de magnitude 4,1 na escala de Richter foi sentido às 00h38 deste sábado a cerca de 4 quilómetros de Celorico da Beira. Segundo um comunicado do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as informações disponíveis nas horas seguintes ao abalo apontam no sentido de o sismo não ter causado danos pessoais ou materiais.
O abalo foi sentido com intensidade máxima IV/V (escala de Mercalli modificada) no concelho de Covilhã (Castelo Branco) — e com menor intensidade nos concelhos de Aveiro, Santa Maria da Feira, Mealhada, Ovar, Vale de Cambra (Aveiro), Sertã (Castelo Branco), Guarda (Guarda), Alijó (Vila Real), Cinfães, Nelas e Viseu (Viseu) e até para lá da fronteira espanhola.
Informações do Instituto Geológico Espanhol, país onde o sismo também se sentiu, dão conta de que a origem se situou a 22 quilómetros de profundidade.
Em declarações à Rádio Observador, o geólogo Filipe Rosas, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, disse não haver razões para grande preocupação, uma vez que se tratou de um sismo com magnitude relativamente baixa num território onde existe atividade sísmica. Ainda assim, o especialista reconheceu que este sismo em particular é “incaracterístico” pela localização onde ocorreu.
“A maior parte da atividade sísmica, como julgo que é sabido, ocorre preferencialmente junto à fronteira de placas, entre a placa euro-asiática, a placa na qual se encontra a Península Ibérica, e a placa africana. A fronteira de placas passa no offshore do nosso território, para sul-sudoeste”, explicou, destacando que as regiões mais afetadas são habitualmente o Algarve e a zona litoral sudoeste até Lisboa.
“Este sismo localiza-se no nordeste transmontano, numa falha que é muito provavelmente a chamada Falha de Vilariça”, diz Filipe Rosas. “É uma falha tectónica ativa, com sismicidade histórica monitorizada. O último sismo histórico que ocorreu aí foi em 1858, se não estou em erro. É uma falha que se formou num contexto geológico, tectónico, anterior àquele em que nos encontramos atualmente. O material geológico, as rochas que originaram a falha estalaram, digamos assim, num passado geológico anterior à evolução em que nos encontramos atualmente.”
“A falha é bem conhecida, está bem monitorizada, e o sismo, apesar de tudo, é um sismo de relativamente baixa magnitude”, garante o especialista. Ainda assim, continua Filipe Rosas, “é um sismo que tem, sobretudo, a vantagem didáctica de nos poder chamar a atenção para que no nosso território podem existir sismos fora das regiões onde eles são mais expectáveis, do ponto de vista genérico da perigosidade”.
Apesar de haver “muita coisa a mudar para melhor do ponto de vista da prevenção nas últimas décadas”, o geólogo salienta que a primeira defesa é “conhecer bem” os fenómenos naturais. “Não os cientistas, mas a população: saber o que fazer antes e depois de um sismo”, destaca, sublinhando as maiores razões preocupação dizem respeito à implementação e fiscalização da legislação no que toca às infraestruturas.
Segundo a escala de Richter, os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequenos (2,0-2,9), pequenos (3,0-3,9), ligeiros (4,0-4,9), moderados (5,0-5,9), fortes (6,0-6,9), grandes (7,0-7,9), importantes (8,0-8,9), excecionais (9,0-9,9) e extremos (quando superior a 10).
A escala de Mercalli Modificada mede os “graus de intensidade e respetiva descrição”.
Com uma intensidade IV, considerada moderada, “os objetos suspensos baloiçam, a vibração é semelhante à provocada pela passagem de veículos pesados ou à sensação de pancada de uma bola pesada nas paredes, os carros estacionados balançam, as janelas, portas e loiças tremem, os vidros e loiças chocam ou tilintam e na parte superior deste grau as paredes e as estruturas de madeira rangem”, segundo o IPMA.
Já com uma intensidade V, considerada forte, o abalo é “sentido fora de casa, pode ser avaliada a direção do movimento, as pessoas são acordadas, os líquidos oscilam e alguns extravasam, pequenos objetos em equilíbrio instável deslocam-se ou são derrubados”.