Vídeo mostra a receção da Coreia do Norte a alguns dos seus soldados que voltaram de uma missão na Rússia
Foram essenciais para ajudar a Rússia a recuperar o território que já tinha antes de invadir a Ucrânia e agora começam a chegar a casa, onde o poder quer que sejam vistos como heróis pelo que fizeram pelo maior aliado do país.
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, recebeu esta sexta-feira uma série de soldados de 528.º Regimento de Engenheiros do Exército Popular Coreano. Militares que estiveram entre o grupo de milhares de soldados que fizeram o que o ainda não tinha sido feito no regime norte-coreano: entrar num cenário de combate real.
Fizeram-no a pedido da Rússia, um pedido especial de Vladimir Putin a Kim Jong-un, que acedeu rapidamente a ajudar o presidente da Rússia numa das fases mais complicadas da guerra para Moscovo.
É que a Rússia não tinha apenas dificuldades em avançar no terreno que pretendia conquistar, como se viu abraços com uma surpreendente incursão da Ucrânia no seu próprio território.
Em agosto de 2024, alguns soldados ucranianos irromperam pela fronteira norte para avançar decisivamente na região de Kursk, onde penetraram largos quilómetros pela Rússia adentro.
Perante a dificuldade em conter os avanços primeiro, e em conseguir expulsar os ucranianos depois, Vladimir Putin fez o tal pedido ao aliado.
Para aceder a esse pedido, Kim Jong-un enviou uma série de soldados norte-coreanos, alguns dos quais, segundo a KCNA, agora recebidos pela sua conduta “heroica” e pelo “heroísmo maciço” no cumprimento das ordens dadas pelo Partido dos Trabalhadores da Coreia durante um destacamento de 120 dias.
A KCNA confirmou que estas unidades foram destacadas em agosto para a zona de Kursk, onde ajudaram em tarefas de engenharia para combater a Ucrânia.
O vídeo divulgado pela agência norte-coreana mostra soldados ainda com o uniforme a desembarcarem de um avião. Depois aparece Kim Jong-un a abraçar os militares, incluindo um que regressou a casa numa cadeira de rodas.
Ainda no mês passado, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou que as tropas da Coreia do Norte ajudaram a Rússia a defender-se de uma nova incursão no oeste de Kursk, onde depois desempenharam um importante papel a desminar o território.
O pacto mútuo de defesa entre os dois países já levou a Coreia do Norte a enviar cerca de 14 mil soldados para a combater para a Rússia, sendo que desses, seis mil morreram, de acordo com as informações dos serviços da Coreia do Sul, da Ucrânia e do Ocidente.
Sobre esta missão de engenharia, Kim Jong-un confirmou a morte de nove militares, descrevendo as suas mortes como uma “perda dilacerante”. Pelos serviços prestados a favor da Rússia, este regime vai agora receber a Ordem da Liberdade e Independência, enquanto os soldados que não regressaram com vida vão ser condecorados com o título de Herói da República Popular Democrática da Coreia, além de outras honras de Estado.
A cerimónia de boas-vindas ocorreu esta sexta-feira em Pyongyang e contou com a presença das maiores patentes militares, líderes do partido, famílias e uma grande franja popular, sempre de acordo com a KCNA.
Garantindo que as mortes e os ferimentos não foram em vão, Kim Jong-un quis destacar que a missão deste regimento, realizada em zonas perigosas de combate, demonstrou “lealdade total” ao partido e ao Estado. Aproveitou também para elogiar a doutrinação política, a disciplina e a unidade entre os soldados.