Dois soldados norte-americanos e um intérprete civil do Exército dos EUA foram mortos no sábado por um atacante suspeito de pertencer ao Daesh, que visou uma coluna de forças americanas e sírias, informou o Comando Central das Forças Armadas dos EUA.
Outros três soldados norte-americanos ficaram feridos, acrescentou a mesma fonte. Este foi o primeiro a causar vítimas desde a queda do Presidente sírio Bashar al-Assad, há um ano.
Em comunicado, o Comando Central especificou que o ataque, levado a cabo por apenas um atirador, ocorreu durante uma “interacção com líderes locais” na cidade síria de Palmira, no centro do país. As “forças parceiras” eliminaram o atacante, escreveu Pete Hegseth, secretário da Defesa dos EUA, numa publicação nas redes sociais.
O Daesh, movimento extremista que se auto-intitula Estado Islâmico e chegou, em 2014, a estabelecer um califado em partes da Síria e Iraque, tendo sido derrotado em 2017 numa localidade no deserto sírio, não reivindicou de imediato a responsabilidade pelo ataque.
Mas um alto responsável dos EUA afirmou que a avaliação inicial indica que o grupo extremista provavelmente esteve por trás da acção. O ataque ocorreu numa zona fora do controlo do Governo sírio, acrescentou a mesma fonte.
O Ministério do Interior da Síria afirmou que tinha avisado a coligação liderada pelos EUA sobre uma possível infiltração do Daesh, mas acrescentou que as forças da coligação não tomaram em consideração estes avisos, segundo a agência de notícias francesa AFP.
A agência de notícias síria Sana citou uma fonte de segurança, que afirmou que dois militares sírios ficaram feridos, sem dar mais detalhes.
Reacção dos EUA
O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse que haverá consequências muito sérias para quem atacar os EUA.
Este ataque ocorreu pouco mais de um mês depois de a Síria anunciar a assinatura de um acordo de cooperação política com a coligação liderada pelos EUA contra o Daesh, coincidindo com a visita do Presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, à Casa Branca.
Nos últimos meses, a coligação tem levado a cabo ataques aéreos e operações terrestres na Síria, com o objectivo de neutralizar suspeitos de ligações ao Daesh, frequentemente com a colaboração das forças de segurança sírias. No mês passado, a Síria também realizou uma operação em todo o território, detendo mais de 70 pessoas acusadas de ligação ao grupo extremista.
Os Estados Unidos têm forças estacionadas no Nordeste da Síria a participar num esforço que já dura uma década para apoiar uma força liderada pelos curdos na região.
Apesar de ter sido derrotado militarmente em 2019, alguns elementos do Daesh têm conseguido reagrupar-se e explorar o vazio de poder em regiões do Nordeste e Leste, nomeadamente na região desértica entre Homs e Deir Ezzor, até à fronteira com o Iraque, com ataques contra as forças curdas, sírias e também contra civis.