A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passou a ser “uma tecnologia que se integrou em toda a textura da vida humana”, revela um estudo da Microsoft publicado em Dezembro deste ano.

O estudo The Copilot Usage 2025, analisou 37,5 milhões de conversas anónimas de utilizadores com o assistente de IA da Microsoft, o Copilot, entre Janeiro e Setembro de 2025. Cada conversa recebeu uma “intenção” e um “tópico”, desde “procurar conselhos” em “relacionamentos”, até “pesquisar” em “religião e filosofia”.

Os investigadores concentrataram-se “não apenas no que as pessoas fazem com a IA, mas também em como e quando o fazem”. Concluíram que a utilização da ferramenta depende muito do contexto e do dispositivo em que é feita.

Na análise, que recolheu cerca de 140 mil conversas por dia ao longo de 260 dias, foram identificados três padrões de interacção dos utilizadores com o chatbot, assim como diferenças diárias e tendências sazonais e semanais.

Dia de Trabalho​

​Os investigadores destacaram que, embora os dados empresariais e educativos tenham sido excluídos da análise, milhões de utilizadores com contas pessoais continuavam a recorrer ao serviço para actividades profissionais.

O primeiro padrão identificado é o “Dia de Trabalho”. Entre as 8h e as 17h, no computador, o tema “Trabalho e Carreira” domina sobre “Tecnologia”, enquanto as conversas sobre “Educação e Ciência” aumentam face às horas nocturnas. Nos dispositivos móveis, ocorre o padrão inverso: “Entretenimento” mantém-se elevado à noite e madrugada, mas cai significativamente durante o horário laboral, reflectindo um uso mais pessoal fora do trabalho.


Companheiro Constante

O segundo padrão de interacção identificado foi intitulado “Companheiro Constante”. Embora o dia de trabalho dite o ritmo para a maioria dos tópicos, um assunto desafia os padrões temporais: em dispositivos móveis, “Saúde e Fitness” mantém-se como o tópico mais frequente a todas as horas do dia, independentemente do horário. Isto sugere, segundo o estudo, que o telemóvel funciona como um confidente constante para o bem-estar do utilizador, independentemente da sua agenda.

Noite Introspectiva

À medida que o dia de trabalho termina, surge o terceiro padrão diário, a “Noite Introspectiva”. Com o anoitecer, os utilizadores recorrem à IA para explorar temas existenciais e “colocar as grandes questões da vida”. Tópicos como “Religião e Filosofia” e “Crescimento Pessoal e Bem-Estar” ganham destaque durante a noite, mantendo-se elevados até ao amanhecer.

O Copilot também regista tendências sazonais e semanais: em Fevereiro conversas sobre “relacionamentos” aumentaram no Dia dos Namorados, enquanto tópicos ligados à educação diminuíram durante o verão. Pesquisas de programação dominam nos dias úteis e os jogos dominam nos fins-de-semana.

O estudo, que preservou a privacidade dos utilizadores através de classificadores eyes-off — sem que qualquer investigador humano tenha acesso ao conteúdo —, conclui que o Copilot é usado de duas formas complementares: “um colega no escritório e um confidente no bolso”.


“Esta divisão tem implicações importantes para o design da IA generativa”, explicam os investigadores. A Microsoft indicou que os programadores de chatbots devem ajustar a interface de acordo com os padrões de utilização. “Um agente de computador deve optimizar a densidade de informação e a execução de tarefas, enquanto um agente móvel deve priorizar empatia, concisão e orientação pessoal”, acrescentaram.

“Os dados sugerem que não estamos apenas a usar a IA para realizar o nosso trabalho mais rapidamente; estamos a usá-la para navegar nas complexidades de ser humano, um prompt de cada vez”, concluíram.