O laureado de 2022 estava detido há mais de cinco anos. Entre os prisioneiros libertados está também a política da oposição Maria Kalesnikava Neste momento já estão na Lituânia e na Ucrânia

O Prémio Nobel da Paz Ales Bialiatski e oito outros prisioneiros estão já na Lituânia depois de terem sido libertados pela Bielorrússia este sábado, enquanto um grupo de 114 prisioneiros foi para a Ucrânia, informou a agência Reuters.

Os ativistas bielorrussos Ales Bialiatski, Nobel da Paz 2022, e Maria Kolesnikova estão entre os 123 prisioneiros libertados por ordem do presidente Aleksandr Lukashenko, em troca do levantamento de sanções norte-americanas contra a Bielorrússia, nomeadamente ao setor do potássio, no mais recente sinal de alívio das relações entre Washington e a isolada autocracia. A Bielorrússia é um grande produtor de potássio, um componente essencial dos fertilizantes. 

Ales Bialiatski foi laureado com o Prémio Nobel da Paz em 2022 a par das organizações de defesa dos direitos humanos Memorial (russa) e do Centro para as Liberdades Civis (ucraniana). Com estes laureados, o Comité Nobel da Noruega quis “homenagear três destacados defensores dos direitos humanos, da democracia e da coexistência pacífica nos países vizinhos Bielorrússia, Rússia e Ucrânia”.

Ales Bialiatski foi um dos iniciadores do movimento democrático que surgiu na Bielorrússia em meados da década de 1980 e dedicou a sua vida a promover a democracia e o desenvolvimento pacífico no país. Fundou a organização Viasna (Primavera), em 1996. A Viasna evoluiu para uma ampla organização de direitos humanos que documenta e protesta contra o uso de tortura pelas autoridades em presos políticos. As autoridades governamentais tentaram repetidamente silenciar Ales Bialiatski. Na altura em que foi galardoado com o Nobel, estava detido há dois anos sem julgamento. “Apesar das enormes dificuldades pessoais, Bialiatski não cedeu um centímetro na sua luta pelos direitos humanos e pela democracia na Bielorrússia”, sublinhava o Comité.

Os indultados são oriundos de vários países e foram condenados por crimes como espionagem, terrorismo e extremismo. Entre os prisioneiros libertados está também a política da oposição Maria Kalesnikava, depois de ter cumprido mais de cinco anos de prisão. Kalesnikova foi coordenadora da campanha de Viktor Babariko, um banqueiro que se tornou político da oposição e que desafiou Lukashenko nas eleições presidenciais de 2020.

Tatsiana Khomich, a irmã de Kalesnikava, disse que tinha falado com ela e que Kalesnikava parecia estar bem e que agora estava em liberdade, informa o Kyiv Independent. “Há muito tempo que sabíamos da possível libertação”, disse Khomich aos jornalistas. “Mas, como vimos recentemente, bem como no mês passado, era sempre uma espécie de surpresa quem era libertado. E, claro, eu não podia acreditar até agora”. Neste momento, Maria Kalesnikava já está na Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky anunciou já ter falado com a ativista.

Maria Kalesnikova, figura da oposição bielorrussa, após ter sido libertada da prisão na Bielorrússia em 13 de dezembro de 2025. (DR/ Serviço de informações militares da Ucrânia)

O centro de coordenação de prisioneiros de guerra de Kiev recebeu prisioneiros ucranianos acusados de trabalhar para os serviços secretos ucranianos 
e prisioneiros políticos bielorrussos. Todos irão receber cuidados médicos e os cidadãos bielorrussos que o desejassem seriam posteriormente transportados para a Polónia ou a Lituânia.
 
O centro publicou fotografias que parecem mostrar os prisioneiros libertados a entrar num autocarro, com alguns deles a sorrir e a abraçarem-se. 

O enviado especial dos EUA para a Bielorrússia, John Coale reuniu-se na sexta-feira e hoje com o líder autoritário do país, Alexander Lukashenko, para conversações na capital bielorrussa, Minsk. Aliada próxima da Rússia, a Bielorrússia enfrenta há anos isolamento e sanções ocidentais.

“De acordo com os acordos alcançados com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a seu pedido, relativos ao levantamento das sanções ilegais contra a indústria bielorrussa da potassa impostas pela administração do ex-presidente dos EUA [Joe] Biden (…) o chefe de Estado decidiu perdoar 123 cidadãos de diferentes países condenados ao abrigo das leis da República da Bielorrússia por vários crimes, incluindo espionagem, terrorismo e atividades extremistas”, anunciou a presidência bielorrussa.

“À medida que as relações entre os dois países se normalizam, cada vez mais sanções serão levantadas”, disse, por seu lado, John Coale.