Além do uso frequente de novas tecnologias e do talento para vender ingressos nas bilheterias, James Cameron também é conhecido pelo bom ouvido musical. Em “Titanic”, transformou “My heart will go on”, na voz de Céline Dion, em um dos maiores hinos da sétima artes. Em outros filmes, como “O exterminador do futuro 2: O julgamento final” (1991), com o uso de “You could be mine”, dos Guns N’ Roses, e “True Lies” (1994), com “More than a woman”, dos Bee Gees, criou cenas que ficaram marcadas entre os cinéfilos. Agora, em “Avatar: Fogo & cinzas”, Cameron acionou Miley Cyrus para a música tema. A artista canta “Dream as one”, parceria com Simon Franglen, Mark Ronson e Andrew Wyatt que corre nos créditos finais.

— Quando recebi o título de Lenda da Disney (na convenção D23, em 2024), fiquei em uma sala com Jamie Lee Curtis, James Cameron e Harrison Ford. Para quebrar o gelo, perguntei o que cada um estava fazendo e disse que eu estava compondo e que se quisessem uma música, era só me procurarem. Jamie me pediu uma música para “A última showgirl” (“Beautiful that way”, indicada ao Globo de Ouro 2025). E James me procurou logo depois. Só falta o Harrison Ford , estou esperando — brinca Miley, de 33 anos.

A eterna Hannah Montana já garantiu uma indicação ao Globo de Ouro 2026 por “Dream as one”. Ela disputa contra “Golden”, hit da animação “Guerreiras do K-Pop”, “I lie to you”, de “Pecadores”, “Train dreams”, de “Sonhos de trem”, e “No place like home” e “The girl in the bubble”, ambas de “Wicked: Parte 2”.

Miley lembra que recebeu apenas um pedido de James Cameron: “fazer uma música que eu lançaria com ou sem ‘Avatar’, que se sustentasse por si só.” Ela se divertiu na divulgação do longa, ao lado de pessoas há 15 anos trabalhando na produção.

— Participei de três sessões de gravação, não trabalhei nem 2% do que todo mundo envolvido no projeto. Cheguei no final e me coloquei como parte da família “Avatar”. Foi genial da minha parte — diz, rindo.

‘Resiliência pessoal’

Apesar do “pouco trabalho” em comparação com o resto da equipe, ela conta que se dedicou na composição e adicionou vulnerabilidades para escrever a canção.

— Queria usar minha resiliência pessoal como inspiração. Mas também queria usar meu lado vulnerável, porque ele também é forte — conta.

A artista, que recentemente ficou noiva do músico Maxx Morando, com quem namora há quatro anos. Ela cita a nova canção como em alinhamento não só à vida amorosa, mas também à uma tragédia recente, quando perdeu sua casa nos incêndios da Califórnia no primeiro semestre.

— A canção é sobre começar de novo e reconstruir. Os temas do amor, dos relacionamentos, do estar presente um para o outro… é como se a arte estivesse imitando a vida e a vida imitando a arte. Você nunca sabe qual vem primeiro.