“Esta pulseira surge numa parceria com a ULS de Gaia/Espinho. Queriam uma pulseira para pessoas que têm dificuldades a verbalizar, que conseguem perceber o que lhes é dito mas que não conseguem responder”, esclarece Cláudia Quaresma. A pulseira, que ocupa uma grande parte do antebraço, tem três ímans coloridos. Existem duas versões do mesmo protótipo, mas o esquema é sempre o mesmo: um íman verde, um amarelo e um vermelho. Num dos dispositivos, o verde tem a palavra “sim”, um “talvez” amarelo e um “não” a vermelho. No outro equipamento, as palavras são substituídas por símbolos com o mesmo significado.
Como todos os projetos, “a ideia é ir evoluindo” mesmo depois de já estarem nas mãos — ou nos braços — dos pacientes. “Podemos tirar as peças todas e substituir por outras, dependendo da dificuldade da pessoa. Por isso é que temos ímans. Se a pessoa quiser ir à casa de banho, se quiser comer… a ideia é ir fazendo mais símbolos”, explica a coordenadora do 3D Printing Centre for Health. Depois de terem ficado um mês a testar o primeiro protótipo enviado, a ULS Gaia/Espinho já encomendou outras três unidades.
Todas as semanas têm tido entregas para fazer, dos mais variados engenhos, para as mais variadas demografias. Enquanto já têm pronto um molde que foi adaptado para ajudar na recuperação de uma cirurgia ao polegar, dão uns ajustes finais a uma prótese destinada a um ex-combatente. “Era militar durante a guerra colonial, uma bomba explodiu e ficou biamputado e cego”, conta Cláudia Quaresma, referindo que antes de encontrar o centro na Caparica, utilizava uma prótese em madeira feita por um amigo, mas que entretanto se tinha tornado demasiado pesada.
O “passa a palavra” tornou-se a melhor publicidade do 3D Printing Centre for Health, confessa a investigadora Ana Maria Oliveira, enquanto trabalha no seu projeto individual de doutoramento. Para além dos hospitais com os quais já colaboram, várias associações de pais de crianças com amputações ou instituições de solidariedade social promovem os trabalhos do centro, o que se tem traduzido numa maior procura pelos seus dispositivos fora do mercado habitual.
Carolina nasceu com uma amputação congénita da mão esquerda. Sempre viu as outras pessoas fazer coisas que ela não conseguia e, quando a família ficou a conhecer os serviços deste projeto, não foi preciso pensar duas vezes. Para garantir que o conforto é máximo e que se consegue extrair a máxima utilidade das próteses, os voluntários fazem moldes específicos para cada caso que recebem. Para além disso, os futuros utilizadores têm “controlo criativo total” no processo do desenho, tendo a possibilidade de escolher a cor do modelo que lhes vai chegar. “Queremos ter a certeza de que se sentem bem com aquilo que lhes damos”, afirma a coordenadora Cláudia Quaresma.
Já houve, por exemplo, quem tenha pedido uma prótese arco-íris — e a tenha recebido da equipa. O pedido de Carolina foi mais simples: uma mão cor-de-rosa. Além de importante para determinadas atividades, como cortar a comida ou escrever com uma caneta, Carolina tinha uma clara prioridade definida, que pôde executar assim que a sua prótese ficou pronta. Quando ficou ‘equipada’ com a sua “nova” mão cor-de-rosa, tal como a imaginou, a primeira coisa que fez foi o gesto de um coração com as duas mãos, algo que via outros a fazer com frequência e que sempre sonhou vir a replicar. O gesto fez os pais cair em lágrimas, e os membros do centro tiveram de se “manter firmes” para não perder a compostura.