O chanceler alemão, Friedrich Merz, deixou este sábado um aviso: o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, não vai parar na Ucrânia, caso seja bem sucedido na invasão do país vizinho. O objetivo do chefe de Estado russo consiste, de acordo com o líder germânico, na “mudança fundamental das fronteiras na Europa e na restauração das fronteiras da antigo da União Soviética”.
Num evento partidário do partido CSU (União Cristã Democrática) em Munique, o chanceler alemão destacou que o Presidente russo está “fundamentalmente a mudar as fronteiras na Europa”. E comparou indiretamente Vladimir Putin ao líder nazi, Adolf Hitler. A Ucrânia não será suficiente, tal como os Sudetas “não foram suficientes em 1938” para Hitler, numa alusão à anexação daquela região checoslovaca pela Alemanha nazi.
Wenn man heute nur ein Video guckt, dann sollten es diese knapp 5 Minuten Rede des Bundeskanzlers sein.
„Genauso wenig wie 1938 das Sudetenland nicht gereicht hat: Putin hört nicht auf.“ pic.twitter.com/dTDErrtHoH
— Daniel Eck ???????? (@eckilepsie) December 13, 2025
“Se a Ucrânia cair, Putin não vai parar”, reiterou o chanceler da Alemanha, acrescentando que isso é uma “ameaça enorme, incluindo uma ameaça militar, aos países que outrora pertenceram ao império” da União Soviética, nomeadamente países como a Estónia, a Letónia ou a Lituânia. Friedrich Merz avisou também que se “alguém acredita” que Vladimir Putin “ficará satisfeito” apenas com a Ucrânia “deve analisar as estratégias, papéis, discursos e aparições”.
Além disso, o líder da Alemanha alertou que “as décadas da Pax Americana” — em que os Estados Unidos garantiam a defesa da Europa — “chegaram ao fim”. Houve, de acordo com Friederich Merz, uma “mudança fundamental da relação transatlântica” com o regresso do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao poder.
“Ninguém deve acreditar que isso será apenas um fenómeno passageiro”, frisou Friedrich Merz, recordando que Donald Trump “não chegou ao poder do dia para a noite”. A política norte-americana face à Europa “não desaparecerá simplesmente”. E o chanceler germânico alertou que as “coisas podem tornar-se mais difícil” com o “sucessor” do atual Presidente.
Mesmo assim, Friedrich Merz pretende ver a continuidade da NATO “pelo maior tempo possível”. “Os norte-americanos estão a satisfazer os seus interesses próprios de forma muito agressiva. Isso só pode significar uma resposta diferente —e nós também teremos de satisfazer assim os nossos”, defendeu.