Um “hat-trick” de Pavlidis, complementado por Aursnes, garantiu, este domingo, em Moreira de Cónegos, o regresso do Benfica aos triunfos (0-4) e às goleadas no campeonato. Um resultado decisivo para repor a diferença pontual relativamente ao Sporting e pressionar o FC Porto (só joga na segunda-feira), quando ficam a faltar três jornadas para o desfecho da primeira volta.
O avançado grego foi a chave de uma vitória que valida a exibição e o último o resultado das “águias” na Liga dos Campeões, numa noite consistente e pragmática da equipa de José Mourinho, sempre em crescendo, à boleia da inspiração do grego, que respondeu ao “leão” Luis Suárez para reassumir a liderança dos melhores marcadores da Liga, com 13 golos.
Depois de um arranque sem forçar a nota artística ou denunciar a urgência de resolver um jogo complicado — num estádio onde não vencia desde 2021-22 (quatro empates nos últimos cinco jogos) —, o Benfica ultrapassou o impasse inicial com um golo de Pavlidis, o primeiro da noite e 11.º do avançado na Liga, servido por Aursnes (36′).
O Benfica assumia a condição de favorito e aproveitava os últimos dez minutos da primeira parte para equilibrar as estatísticas relativamente a remates e cantos. Isto porque até ao golo, num jogo pródigo em duelos, sempre com uma intensidade alta, mas sem verdadeiras ocasiões de golo, o Moreirense mostrava que queria voltar ao registo caseiro interrompido pela derrota com o FC Porto e pelo empate com o Famalicão.
Com o mesmo “onze” que bateu o Nápoles na Champions, à excepção da troca de Ivanovic por Pavlidis, o Benfica até registava menos remates do que a formação da casa (5-1), ficando a lamentar dois lances na área dos minhotos, em que Pavlidis (3’) e Sudakov (21’) ficaram a pedir penálti, sem que o árbitro ou o VAR os atendessem.
Num dos raros momentos em que surpreenderam os “cónegos” nessa fase inicial, num lançamento em profundidade de Otamendi para Dedic romper e encontrar uma via rápida para a baliza, o Benfica encontrava uma forma simples para ultrapassar as dificuldades que a equipa experimentava.
Sobretudo no corredor esquerdo, sector em que o Moreirense impunha boas dinâmicas com Benny e Diogo Travassos a identificarem e definirem os momentos de transição ofensiva.
O extremo acompanhava religiosamente Dahl nas viagens à área dos “axadrezados”, dando até a ideia de ser o quinto defesa. Nesses instantes, Benny passava a ocupar o espaço no corredor, validando a presença de Schettine na frente, o que permitia um fluxo constante que mantinha Barrenechea ocupado e o Benfica mais curto.
Por seu lado, o Benfica vivia da ambivalência de Aursnes e dos rasgos de Leandro Barreiro, sem, contudo, justificar ainda o golo. Mas a vantagem acabaria por surgir no cruzamento milimétrico de Aursnes por que Pavlidis tanto ansiava.
Em vantagem, o Benfica tinha condições para refinar a paciência que o jogo exigia, enquanto do Moreirense se esperava uma reacção que a lesão de Vasco Sousa anulou até ao intervalo.
O que veio a seguir foi o recital Pavlidis, com golos aos 57′ e 70′, a marcar uma segunda parte em que o Benfica embalou sem levantar o pé para a goleada, concluída com um chapéu magistral de Aursnes.