Pela primeira vez em 88 anos de história, a Volkswagen fechará uma fábrica na Alemanha. A fábrica de Dresden produziu cerca de 200.000 veículos, desde 2002, e foi criada como uma montra para dar a conhecer o poderio tecnológico da empresa.
Conforme avançado pelo Financial Times, a fábrica da Volkswagen em Dresden verá a sua produção cessada já no dia 16 deste mês. Desde 2002, a pequena infraestrutura produziu cerca de 200.000 veículos, após ter sido criada como uma montra para a capacidade tecnológica da empresa.
O encerramento da “fábrica transparente” faz parte de uma reestruturação acordada entre os trabalhadores e a administração no ano passado. Na altura, as duas partes concordaram em cortar mais de 35.000 postos de trabalho, na Alemanha, ou cerca de 30% dos 120.000 funcionários alemães da empresa.
Além disso, concordaram em aumentar os salários em 5%, mas reservaram o aumento num fundo da empresa para ser usado na redução de despesas.
Na altura, também, a administração afirmou que a produção estava em excedente devido à queda da procura e manteve conversações com o sindicato após propor medidas de redução de despesas, incluindo o encerramento de pelo menos três das 10 fábricas na Alemanha; cortes na força de trabalho em conformidade; um corte salarial uniforme de 10%.
Inicialmente, a fábrica de Dresden produziu o sedã de luxo Phaeton e, após o este ter sido descontinuado em 2016, o local produziu o veículo elétrico ID.3 até recentemente.
Volkswagen e sindicatos chegaram a um acordo no ano passado
Conforme acompanhámos, ao longo do ano passado, a Volkswagen e os sindicatos dos seus trabalhadores mantiveram conversações sérias sobre o futuro da empresa. Em dezembro, num acordo saudado como “milagre de Natal”, ambas as partes chegaram, finalmente, a um acordo.
Uma das decisões passou pela cessação da produção de automóveis na fábrica de Dresden, este ano, com a Volkswagen a procurar “opções alternativas” para o local.
Agora, após o fim da produção automóvel, o local será alugado à Universidade Tecnológica de Dresden e usado como campus de pesquisa para o desenvolvimento de robótica e outros fins.
Recentemente, Thomas Schäfer, diretor-executivo da marca Volkswagen, disse que a decisão de fechar a fábrica de Dresden não foi tomada levianamente, enfatizando que “era essencial do ponto de vista económico”.
Afinal, o Grupo Volkswagen registou um prejuízo líquido após impostos de 1,07 mil milhões de euros no terceiro trimestre, de julho a setembro.

