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“Tal como os Sudetos não foram suficientes em 1938, Putin não vai parar”, disse este Friedrich Merz durante uma conferência do seu partido, na Alemanha, numa referência ao tratado conhecido na República Checa como “a Traição de Munique”.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, comparou o Presidente russo, Vladimir Putin, a Adolf Hitler, num discurso proferido no sábado à noite, avisando que as ambições do líder do Kremlin não se ficarão pela Ucrânia.
“Tal como os Sudetos não chegaram em 1938, Putin não vai parar. Se a Ucrânia cair, ele não vai ficar por aí“, disse Merz, referindo-se a Vladimir Putin. “Esta é uma guerra de agressão russa contra a Ucrânia — e contra a Europa”.
Merz referia-se ao Acordo de Munique, estabelecido em 1938 entre o Reino Unido. a Alemanha e a Itália, no âmbito do qual Neville Chamberlain, então primeiro-ministro britânico, negociou com Adolf Hitler a anexação pelos nazis da região montanhosa dos Sudetos, que então pertencia à Checoslováquia.
O tratado, que Chamberlain apresentou então como a “paz para o nosso tempo“, é conhecido na República Checa como “a Sentença de Munique”, ou, com alguma frequência, “a Traição de Munique“, uma vez que as alianças militares em vigor entre Checoslováquia, Reino Unido e França foram ignoradas.
Muito crítico do acordo, Winston Churchill, então na oposição, disse a Chamberlain: “Entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra, e terás a guerra“.
A 10 de março de 1939, Hitler, desrespeitando o tratado, ordena a invasão do resto da Checoslováquia e as tropas alemãs ocupam Praga. A 1 de setembro, as tropas nazis invadiram a Polónia, e começava a II Guerra Mundial.
Segundo o chanceler alemão, o objectivo de Vladimir Putin passa também por “uma alteração fundamental das fronteiras na Europa e a restauração da antiga União Soviética dentro das suas fronteiras”.
Merz, a par do Presidente francês Emmanuel Macron e do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, tem impulsionado os esforços europeus de apoio a Kyiv.
Segundo o Politico, responsáveis alemães, britânicos e franceses terão estado, alegadamente, a discutir este fim-de-semana propostas para pôr termo à guerra na Ucrânia, antes de uma reunião marcada para esta segunda-feira.
É também esperado que o enviado norte-americano Steve Witkoff se reúna com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, que será recebido por Merz em Berlim.