Quatro irmãos, com idades compreendidas entre os 16 e os 26 anos, foram assassinados dentro de casa às primeiras horas da madrugada de domingo, em Guayaquil, a maior cidade do Equador. A polícia confirmou que nenhum dos irmãos Cárdenas Hernández tinha antecedentes criminais, considerando que este se pode tratar de um caso de engano na identidade dos alvos.

As investigações preliminares dão conta de que os agressores terão confundido as vítimas com membros de um grupo organizado. A hipótese avançada pela polícia, e citada pelo El Comercio, indica que o verdadeiro alvo, suspeito de pertencer a um gangue criminoso, reside perto da morada atacada.

Segundo informações da Polícia Nacional, citadas pela Teleamazonas, os agressores seguiram uma tática já utilizada noutros crimes semelhantes ocorridos no país: terão chegado numa carrinha branca e entrado no prédio vestidos com uniformes da polícia. Dentro de casa, abriram fogo contra os jovens, matando os quatro irmãos.

Segundo a mesma televisão, que cita familiares das vítimas, o mais novo dos irmãos estava a dormir no seu quarto enquanto a família decorava a casa para as festas de Natal e Ano Novo. O pai das vítimas sofreu ferimentos leves e a mãe escapou ilesa.

Este não é um caso inédito no Equador, que tem 4.619 homicídios registados entre janeiro e junho deste ano, conforme apontam os dados do Ministério do Interior, divulgados no El Comercio. No ano em que a média nacional chegou a um homicídio por hora, o primeiro semestre de 2025 foi o mais violento desde o início dos registos oficiais.

Perante o aumento continuado da violência, o governo adotou medidas extraordinárias. Em janeiro de 2024, o Presidente equatoriano, Daniel Noboa, declarou “conflito armado interno” às estruturas criminosas, classificadas pelo poder executivo como organizações terroristas. As autoridades equatorianas atribuem a situação a disputas territoriais e de poder entre estruturas do crime organizado.

A cidade de Guayaquil, a mais populosa do Equador, concentra grande parte dos ataques do país, considerado o mais violento da América Latina.

*Texto editado por Cátia Andrea Costa