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Charlie Hicks, de 78 anos (E), com Donell Stallworth, chef no Shrimp Basket, na Florida, EUA.

Cliente mais fiel do estabelecimento na Florida, nos EUA, desapareceu. O chef parou o serviço e foi bater-lhe à porta. “Criaram uma ligação” especial.

Durante uma década, Charlie Hicks, hoje com 78 anos, foi presença inconfundível no Shrimp Basket, um restaurante em Pensacola, no estado norte-americano da Florida.

O ritual repetia-se, sem desvios: ao almoço, pedia sempre uma tigela de camarão, com pouco arroz, sem bolacha. À noite, voltava sempre para fazer exatamente o mesmo pedido.

“Podíamos acertar o relógio só com a chegada dele”, revelou à CBS News o chef do restaurante, Donell Stallworth. “O senhor Hicks não falta um dia”, disse: “Abrimos as portas e ele está lá para nos receber.”

Foi precisamente a assiduidade de Charlie que deixou Donell incomodado, em setembro passado, quando a rotina quebrou-se e o senhor Hicks deixou subitamente de aparecer, sem aviso, durante vários dias seguidos. Para o chef, era demasiado estranho.

“Percebi logo que alguma coisa estava errada”, contou Stallworth.

Temendo o pior, Donell saiu do trabalho a meio do turno e conduziu até ao apartamento do cliente para tirar tudo a limpo. Bateu várias vezes à porta, sem resposta. Quando se preparava para ir embora, ouviu uma voz fraca a pedir ajuda.

“Mesmo na altura em que me ia virar, ouvi algo, uma voz, como quem diz: ‘Socorro‘”, contou Stallworth à CBS.

O chef entrou e encontrou Hicks caído no chão. Não sabia há quanto tempo ali estava — possivelmente há dias, revela — e a incerteza sobre o seu estado foi o momento mais assustador. Hicks estava gravemente desidratado e tinha duas costelas partidas. Donell tinha acabado de salvar a vida de Charlie.

A partir desse episódio, os dois “criaram uma ligação”, conta o idoso à CBS.

Os funcionários do Shrimp Basket começaram por lhe levar o camarão ao hospital. Depois, mobilizaram-se para encontrar uma nova casa para Hicks, desta vez, mesmo ao lado do restaurante, para que pudessem acompanhá-lo de perto e garantir que não voltaria a ficar isolado. A equipa ajudou ainda a equipar e arranjar o novo apartamento, com eletrodomésticos e melhorias no espaço.

Três meses após o acidente, Hicks regressou ao restaurante e retomou a rotina que marcara os últimos 10 anos. Na sua mesa preferida, com o seu prato personalizado à frente.

“Ele é aquele tio”, desabafa Stallworth, “é aquele avô, é aquele melhor amigo. Ele é tudo num só”.


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