
O painel 3 do Mosaico de Ketton mostra Príamo, rei de Troia, carregando uma balança com vasos de ouro, para igualar o peso de seu filho, Heitor.
Um mosaico romano descoberto recentemente na Grã-Bretanha representa uma versão há muito perdida da história da Guerra de Troia que difere da narrativa mais famosa da saga contada por Homero.
O Mosaico de Ketton mostra um conflito-chave durante a Guerra de Troia.
No entanto, segundo um estudo publicado na semana passada no Britannia, o novo artefacto não se baseia na “Ilíada” de Homero – a versão mais consensual do acontecimento.
Em vez disso, este mosaico, que mede 10 por 5,3 metros, foi inspirado por uma tragédia mais obscura do dramaturgo ateniense Ésquilo. Chamada “Frígios”, esta versão foi escrita no início do século V a.C. e sobrevive hoje apenas em fragmentos e análises discutidas noutros textos antigos.
Como explica a Live Science, na narrativa de Homero sobre a Guerra de Troia, os gregos passam 10 anos a lutar contra a cidade de Troia, no que é hoje a moderna Turquia. Segundo o mito, Páris, um filho de Príamo, rei de Troia, raptou a bela rainha Helena de Esparta, e os gregos estavam a lutar para a recuperar.
Este mosaico mostra, como é revelado em comunicado, podem ver-se três cenas do conflito entre o herói grego Aquiles e o príncipe troiano Heitor.
No primeiro painel, os dois duelam depois de Heitor matar Pátroclo, um companheiro próximo e possível amante de Aquiles. No segundo, Aquiles arrasta o corpo morto de Heitor atrás do seu carro. No terceiro, Aquiles resgata o corpo de Heitor ao seu pai, Príamo, pelo seu peso em ouro.
Inicialmente, os investigadores pensaram que o mosaico representava cenas descritas no épico de Homero, a “Ilíada”. Mas após uma análise mais profunda, Jane Masseglia, autora principal do estudo e historiadora da Universidade de Leicester, descobriu que alguns dos detalhes no mosaico não batiam certo com a versão de Homero.
Os arqueólogos argumentam que as diferenças apontam para “Frígios” como a verdadeira inspiração para a imagem.
Por exemplo, na “Ilíada”, Aquiles diz explicitamente que não aceitará ouro como resgate pelo corpo de Heitor. E no mosaico, Aquiles arrasta o corpo de Heitor em torno do túmulo de Pátroclo, enquanto na “Ilíada” o arrasta em torno das muralhas de Troia.
Fragmentos de “Frígios” e de análises de estudiosos antigos sobre o texto, no entanto, descrevem ambos os eventos tal como são representados no Mosaico de Ketton. “Frígios” é a única versão conhecida da Guerra de Troia que descreve os acontecimentos dessa forma – defendem os investigadores.