A 28 de novembro, João Nobre, atual proprietário da Casa das Bifanas, em Valongo, partilhou, no Instagram, um vídeo com a simulação de uma bala a atravessar a barriga de uma pessoa. O projétil atravessava a pele e encontrava um obstáculo mais robusto: uma camada de gordura. A ideia do espaço era mostrar que, desta forma, a bala não atinge órgãos vitais, deixando a sugestão de que vale a pena provar as bifanas da casa para criar uma camada de gordura que torne qualquer pessoas “à prova de bala”.
A publicação foi feita num tom humorístico, com o responsável a deixar a ressalva, na legenda, que se deve seguir uma alimentação equilibrada. Contudo, a publicação não passou despercebida e não deixou ninguém indiferente. A partilha teve mais de 45 mil gostos e quase três milhões de visualizações, que acaba por resultar em mais visitas naquela que é considerada por muito “a melhor casa de bifanas do País”. A NiT quis saber qual é o segredo do sucesso destas sandes nortenhas.
João Nobre faz parte da casa desde que a mesma foi criada a 19 de julho de 2004. Na altura, não passava de um miúdo de 18 anos que tinha acabado de saber que ia ser pai e precisava de um trabalho para ajudar a sustentar a família. O agora ex-sogro ofereceu-lhe trabalho no restaurante que ia abrir com um sócio, em Valongo.
“Abracei o negócio desde o início. O meu sogro na altura tinha decidido trazer para Valongo as bifanas como aprendeu a fazer na Conga, no Porto e eu juntei-me a eles como empregado de mesa. Mais tarde passei a responsável, a seguir subi para gerente e nos últimos anos fiquei como patrão do espaço”, explica à NiT o empresário de 39 anos, que mesmo sem um curso superior em gestão, aprendeu a gerir duas casas e uma food truck onde são servidas milhares de bifanas por dia.
Quem passa pela Avenida Primeiro de Maio, certamente já reparou no entra e sai de clientes com sandes na mão. É ali que se encontram uma das “melhores bifanas do País”, como alguns utilizadores fazem questão de revelar nas redes sociais. O segredo? “A atenção à qualidade e a consistência”.
“Somos uma casa de mono produto. Além das bifanas, só temos alguns snacks simples, como a sopa de molho de bifana. Por isso, o grande foco sempre foi manter a qualidade e aperfeiçoar a receita. Usámos um pão feito forno a lenha, produzido em exclusivo para nós desde o início, comprámos a carne no mesmo talho, com o corte de sempre, o piri-piri é feito por nós e as batatas são sempre do mesmo produtor local. Isto faz diferença”, revela João Nobre, que adianta ainda que as carcaças chegam diariamente, duas vezes por dia, ainda quentes, para se manterem estaladiças.
O sal é outro dos segredos. João Nobre adianta que usam o mesmo tipo de condimentos há anos e que isso permite que mantenham a consistência e o sabor iguais. “Gosto de estar na cozinha de tratar dos molhos. Fazemos o nosso piri-piri e este anos já tive de fazer algumas centenas de litro, porque se acabar não podemos ir ao supermercado buscar. Temos de estar sempre um passo à frente”, revela.
Contudo, o segredo da receita não está apenas nos produtos que usam. Tudo começa na preparação, que é feita na casa. As bifanas são marinadas durante oito horas e têm de ser envolvidas várias vezes ao dia. Assim que estiverem prontas passam para o tacho, que está ligado todo o dia, onde são envolvidas num molho feito à base de cerveja, banha, piri-piri e brandy. “Temos apenas duas pessoas que assumem a liderança do tacho. Eles conseguem perceber qual o ponto em que a carne deve estar, assim como o molho, para servir. Cada tacho dá para 30 bifanas e nunca param de adicionar, porque os clientes estão sempre a chegar”, revela.
Cada bifana custa 2,60€, depois pode acompanhar com uma cordeniz com molho de bifana (2,6€), ou uma sopa (1,80€) e batata frita, descascada e cortada no restaurante. Isto tudo “cai bem”, segundo o empresário, com uma cerveja fresca (0,70€). Quem não aprecia a especialidade, pode sempre pedir um prego em bolo do caco (6,90€), ou passar lá ao sábado, onde João cozinha papas de sarrabulho e as vende por 1,80€.
A Casa das Bifanas tem dois espaços. O primeiro, na Avenida Primeiros e Maio tem capacidade para 100 pessoas sentadas e mais 15 ao balcão. A segunda, aberta desde janeiro deste ano a 600 metros da casa-mãe, tem lugar para mais 80.
Carregue na galeria para conhecer o espaço emblemático em Valongo.
FICHA TÉCNICA
- MORADA
Av. Primeiro de Maio 115
4440-501 Valongo
- HORÁRIO
- Segunda a sábado das 10h às 22h
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€
TIPO DE COMIDA
Bifanas, Petiscos