No Verão, a Prada foi acusada de apropriação cultural por causa das sandálias Kolhapuri, modelo original da Índia, feito por artesãos de couro locais com uma história que remonta ao século XII. Depois da controvérsia, a marca italiana de luxo vai lançar, no próximo mês de Fevereiro, dois mil pares de sandálias, sob um acordo com o Governo indiano de produzir na Índia e em parceria com artesãos locais.
Lorenzo Bertelli, director de responsabilidade social corporativa da Prada, disse à Reuters que a marca vai “combinar as capacidades do fabricante original” com as suas “técnicas de fabrico”. O grupo italiano pretende lançar o modelo como uma colecção limitada, produzida nas regiões indianas de Maharashtra e Karnataka.
O lançamento desta colecção acontece ao abrigo de um acordo com duas entidades apoiadas pelo Estado indiano, combinando o artesanato local com a tecnologia e o modo de saber fazer italiano, depois de a Prada ter sido acusada e criticada de apropriação cultural do modelo de sandália.
Em Julho, as vendas das sandálias Kolhapuri dispararam depois de o grupo italiano ter apresentado modelos semelhantes em Milão, sem mencionar, inicialmente as origens do calçado. Os modelos serão lançados em Fevereiro e estarão disponíveis em 40 lojas da marca em todo o mundo por cerca de 800 euros o par.
As fotografias virais de um desfile em que os modelos calçavam as sandálias suscitaram críticas por parte dos artesãos indianos que fabricam as sandálias — cujo nome deriva de uma cidade histórica do estado de Maharashtra — e a Prada foi pressionada a reconhecer que o seu novo calçado foi inspirado em antigos modelos indianos.
Modelo com as sandálias Kolhapuri durante a semana da moda de Milão, Itália, em 22 de junho de 2025
Alessandro Garofalo / Reuters
De acordo com a Reuters, o acordo entre a Índia e a Prada contempla uma parceria de três anos para formar artesãos locais. Apesar de os detalhes ainda estarem por acertar, sabe-se que a iniciativa será composta por programas de formação na Índia e a possibilidade dos artesãos passarem curtos períodos na academia da Prada, em Itália.
“Assim que a Prada endossar este artesanato como um produto de luxo, certamente haverá um efeito dominó que resultará no aumento da procura por este artesanato”, afirmou Prerna Deshbhratar, diretora-geral da Corporação para o Desenvolvimento das Indústrias do Couro, empresa do Estado de Maharashtra, cuja sigla em inglês é LIDCOM, citada pelo jornal britânico The Independent.
Texto editado por Bárbara Wong