Nem 24 horas se passaram desde o ataque na praia de Bondi, em Sydney, que matou 15 pessoas e deixou dezenas de feridos, e o Governo australiano já anunciou a revisão da lei de porte de armas nacional.

De acordo com os meios de comunicação locais, o ataque terá sido perpetrado por Sajid Akram, 50 anos, e Naveed Akram, 24 anos – pai e filho. Sajid foi neutralizado no local pelas autoridades. Naveed foi ferido e está hospitalizado em estado grave, mas estável. É por isso expectável que venha a enfrentar uma acusação criminal, de acordo com o primeiro-ministro da região de Nova Gales do Sul, Chris Minns.

Sajid Akram, que terá chegado ao país em 1998 com um visto de estudante, tinha licenças de porte para seis armas — todas entretanto apreendidas pela polícia — emitidas em 2015. Já o filho, Naveed, que nasceu na Austrália, trabalhava como pedreiro e não teria qualquer tipo de licença. No entanto, alguns colegas de trabalho que falaram com o The Guardian recordam que referia várias vezes a caça e o boxe como algumas das suas paixões.

Naveed já tinha entrado no radar das autoridades em Outubro de 2019, de acordo com Anthony Albanese, primeiro-ministro australiano. Foi avaliado durante seis meses devido à proximidade com outras pessoas que, de acordo com a ABC, teriam ligações a uma célula do Estado Islâmico. No entanto, “concluiu-se que não havia indícios de qualquer ameaça iminente”.

As autoridades também não encontraram indícios na casa de ambos de que o ataque, que aconteceu no domingo durante um evento em que se celebrava a primeira noite da festa das luzes judaica, ou Hanukah, estivesse a ser preparado de antemão.


Agora, o país que regista muito poucos incidentes com recurso a armas e que já tem uma das legislações mais apertadas para o seu porte, prepara-se para tornar ainda mais difícil que um ataque como estes volte a acontecer.

O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul afirmou desde logo que queria “olhar” para o número de licenças de porte de armas e que é “tempo para uma alteração sobre a legislação de porte de armas em Nova Gales do Sul”, mas que não estava pronto “a anunciá-la hoje”.

Também Anthony Albanese convocou uma reunião urgente do gabinete nacional para a tarde de segunda-feira. Todos os primeiros-ministros presentes concordaram aumentar o controlo sobre o porte de armas.

Estão a ser estudadas várias opções: apenas cidadãos australianos passam a poder ter uma licença, um registo oficial, uma limitação do número de armas que uma pessoa pode ter e uma lista, ainda mais pequena do que a actual, do tipo de armas consideradas legais. O Governo federal está ainda a trabalhar em restrições ainda maiores na importação de armas e de potenciais elementos usados para as alterar, incluindo impressão 3D.

“As pessoas podem ser radicalizadas ao longo de um período, e as licenças não devem ser perpétuas”, disse Albanese aos jornalistas.

Netanyahu avisou que ataques antissemitas podiam aumentar

Nesta segunda-feira, decorreu uma vigília em memória das 15 vítimas, que tinham entre 10 e 87 anos. Além de flores, foi levada uma menorá para Bondi pela mão de vários membros da comunidade judaica local, que se juntaram no local para a acenderem, descreve a ABC.

Não foi o primeiro ataque anti-semita na Austrália desde o início da guerra de Israel em Gaza – houve ataques a sinagogas, edifícios e carros —, mas nenhum teve esta gravidade.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou, nesta segunda-feira, que já tinha avisado Albanese de que o apoio australiano à solução de dois Estados, que pressupõe a existência de um Estado palestiniano, iria aumentar o anti-semitismo no país e “encorajar o ódio contra judeus nas ruas”, cita o Haaretz.

Antes disso, Netanyahu já tinha dito que Albanese era um “político fraco que tinha traído Israel e abandonado os judeus australianos”.

No entanto, o homólogo australiano já rejeitou a acusação. “De forma esmagadora, a maior parte do mundo reconhece uma solução de dois Estados como o caminho a seguir no Médio Oriente”, disse Albanese numa entrevista. “Temos de abraçar os membros da comunidade judaica, que estão a passar por um período extraordinariamente difícil”, acrescentou.