A matemática podia ser feita de várias maneiras: duas derrotas consecutivas, uma vitória em quatro jogos ou até apenas dois triunfos em oito partidas. Independentemente do ângulo, o momento do Real Madrid não é bom, não tem grandes janelas de otimismo e nem o facto de estarmos em dezembro abre a porta à ideia de que tudo ainda pode melhorar. Por tudo isto e muito mais, o jogo deste domingo em casa do Alavés tornava-se crucial. 

A semana do universo merengue, porém, foi muito difícil. A derrota no Santiago Bernabéu com o Manchester City na Liga dos Campeões, logo depois da derrota com o Celta Vigo no fim de semana passado, deixaram o Real Madrid em maus lençóis e Xabi Alonso completamente em xeque. O treinador espanhol, visto como o herdeiro dos próximos grandes sucessos do clube na altura em que foi contratado, é agora interpretado como o grande responsáveis pelos atuais grandes falhanços do clube — e a ideia de que pode perder o lugar ainda esta temporada nunca parece estar fora de questão.

A crise é Real, chegou a Madrid e tem um nome: Xabi Alonso (e o Manchester City arriscou golear no Bernabéu)

Nos últimos dias, principalmente depois do desaire europeu, começaram a surgir eventuais nomes para a sucessão de Xabi Alonso: o sempre presente Zinédine Zidane, a quimera Jürgen Klopp ou até a revelação Álvaro Arbeloa, atualmente ao leme da equipa B do Real Madrid. Os rumores, porém, pareciam não afetar o espanhol. “Para mim o mais importante é a equipa e o clube. Amanhã é importante pelo jogo que é e queremos mudar a dinâmica. É isso que jogamos amanhã. Apesar das baixas, temos opções suficientes e amanhã estarão onze jogadores a dar tudo. Estou certo de que haverá compromisso e vontade. É um jogo importante”, explicou na antevisão, mesmo confrontado com a ideia de que um eventual resultado negativo podia ser mesmo o fim da linha.

“Estamos todos os dias no balneário. Vivemos momentos bons e outros momentos não tão bons. Pensamos que podemos crescer se ultrapassarmos estes momentos difíceis e revertemos essa dinâmica. Talvez no futuro olhemos para trás e falemos sobre o mal que passámos, mas aqui estamos. Temos gente com experiência. Levo muitos anos no futebol. São coisas normais e acontecerão no futuro. Temos de enfrentar as coisas com a responsabilidade do cargo e daquilo que representamos. A partir daí é trabalhar para reverter a situação. Não é algo que me surpreenda demasiado”, acrescentou, vincando que o principal objetivo era não perder mais terreno para a liderança do Barcelona.

Ora, neste contexto e também sem Álvaro Carreras, que foi expulso contra o Celta Vigo e estava castigado, Xabi Alonso lançava o jovem Víctor Valdepeñas, de apenas 19 anos, na esquerda da defesa. O treinador espanhol parecia querer devolver algum conforto à equipa, colocando Rodrygo e Vinícius no apoio a Mbappé — que voltava à titularidade depois de não ter sido utilizado contra o City por lesão — e recuperando um ataque que fazia lembrar os tempos de Carlo Ancelotti. Do outro lado, num Alavés que vinha de duas vitórias seguidas, Eduardo Coudet tinha Lucas Boyé como referência ofensiva enquanto que o ex-FC Porto Toni Martínez começava no banco.

O Real Madrid começou melhor, criando duas situações de perigo ainda dentro do quarto de hora inicial com Mbappé a rematar ao lado (8′) e Rodrygo a fazer o mesmo (11′), e acabou por conseguir abrir o marcador ainda antes da meia-hora: numa transição muito rápida, Bellingham abriu em Mbappé na esquerda e o francês puxou para dentro para depois atirar forte e certeiro (24′). Os merengues foram a vencer para o intervalo, mas também muito graças a uma intervenção brutal de Courtois já nos descontos que evitou o golo de Pablo Ibáñez com a cabeça (45+3′).

A equipa de Xabi Alonso poderia ter aumentado a vantagem logo nos instantes iniciais da segunda parte, com um remate de Mbappé já na área que Antonio Sivera defendeu (53′), e mantinha-se a ideia de que o Real Madrid estava algo por cima apesar da tentativa de reação corajosa do Alavés. A pouco mais de 20 minutos do fim, porém, a estratégia merengue foi utilizada em sentido contrário: numa transição muito rápida, Antonio Blanco soltou Carlos Vicente e o avançado, acabado de entrar, dominou de forma perfeita antes de atirar para empatar (68′).

Xabi Alonso continuou sem mexer e a verdade é que, já dentro do último quarto de hora, a lei do mais forte voltou a imperar. Vinícius acelerou na esquerda, deixou um adversário para trás e assistiu Rodrygo, que só precisou de encostar para recuperar a vantagem (76′). O treinador espanhol lançou Gonzalo García e Dean Huijsen logo a seguir, apostou depois em Brahim Díaz e Mastantuono e já nada mudou até ao fim.

O Real Madrid venceu o Alavés no País Basco, voltou às vitórias e mantém-se a quatro pontos da liderança do Barcelona. Quando o chão voltou a tremer, de forma muito irónica, Xabi Alonso foi salvo por Vinícius e Rodrygo, os dois meninos que tantas vezes fizeram Carlo Ancelotti sorrir.