Apesar dos esforços que decorreram durante esta segunda-feira para encontrar os três pescadores desaparecidos na sequência do naufrágio da embarcação Vila de Caminha no final da manhã de domingo, os homens continuam desaparecidos. O incidente ocorreu numa zona rochosa perto da Ilha de Ínsua, no concelho de Caminha e a bordo da embarcação de pesca, com mais de dez metros e cabine, estavam cinco tripulantes.

O alerta foi dado às 12h20 e ainda durante o dia de domingo, um dos pescadores e o mestre, Nuno Castro, de 41 anos, foram resgatados, ambos em estado de hipotermia, e foram levados para o hospital de Viana do Castelo. Os outros três pescadores continuam desaparecidos, tendo as buscas recomeçado nesta segunda-feira de manhã.

Os quatro pescadores são indonésios e o mestre é português. Os indonésios são já uma presença “habitual” na pesca na zona de Caminha e Vila Praia de Âncora, garantiu o capitão do porto e comandante local da polícia marítima de Caminha, Fernando Vieira Pereira.

Ao JN, uma fonte próxima de Nuno Castro relatou que o barco teve uma avaria mecânica e que, quando o mestre a foi verificar, a embarcação foi derrubada por “um golpe de mar”. O mestre da embarcação relatou à fonte citada pelo jornal que “foi um inferno autêntico”, numa luta com o mar que terá durado entre 30 e 40 minutos.

Durante a hora de almoço desta segunda-feira, na praia da Foz do Minho, enquanto as buscas decorriam, três moradores olhavam para os destroços do barco nas rochas. Um deles, que também faz pesca lúdica, comentou que o mestre da embarcação “conhece isto palmo a palmo, anda neste mar desde miúdo”. “Os indonésios também são homens do mar”, acrescentou.




Ilha de Ínsua, onde o acidente aconteceu
Paulo Pimenta

Pelas 15h, um barco da polícia marítima voltou a atracar. A bordo estava Fernando Vieira Pereira, que disse que já tinha sido confirmada a identidade dos três pescadores desaparecidos, embora ainda não a pudessem divulgar.

Pouco depois, seis homens saíram do posto da Polícia Marítima da praia da Foz do Minho para continuar as buscas. Debaixo de uma chuva que não deu tréguas, os agentes da polícia marítima dividiram-se em dois barcos e uma mota de água e fizeram-se ao mar à procura das três vítimas desaparecidas.




Polícia Marítima sai para o mar nas buscas dos três pescadores desaparecidos no naufrágio
Paulo Pimenta

Vieira Pereira abandonou temporariamente as buscas para reunir com o secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro. Enquanto a reunião decorria na Capitania de Caminha, Rui Castro, da Associação de Pescadores de Caminha, disse aos jornalistas que o mestre da embarcação que naufragou é “um mestre experiente, com todo o conhecimento desta zona”, e afirmou que a zona de Ínsua, onde aconteceu o acidente, é “um sítio perigoso” onde há “muitas correntes”.

Nas operações de busca, coordenadas por Vieira Pereira, estiveram empenhados tripulantes da Estação Salva-vidas de Viana do Castelo, elementos da Capitania do Porto e do Comando Local da Polícia Marítima de Caminha e do Grupo de Mergulho Forense e Operações Policiais Subaquáticas da Polícia Marítima (GMF-OPS), bem como dos Bombeiros Voluntários de Caminha e de Vila Praia de Âncora, uma embarcação de salvamento marítimo espanhola e duas aeronaves da Força Aérea Portuguesa (FAP), informou em comunicado a Autoridade Marítima Nacional.

O capitão do porto de Caminha afirmou, em declarações à Lusa, que as buscas desta segunda-feira não tiveram sucesso, tendo sido suspensas pelas 17h30 por “não haver condições de visibilidade”. Vieira Pereira garante que as buscas vão ser retomadas pelas 08h00 de terça-feira.

Texto editado por Ana Fernandes