Valter Binotto

Em simultâneo, italiano capta um ELVE e um sprite vermelho. Parece cena de ficção científica, mas não é.
ELVE é sigla para Emissions of Light and Very Low Frequency Perturbations due to Electromagnetic Pulse Sources, (ou Emissões de luz e perturbações de frequência muito baixa devido a fontes de impulsos eletromagnéticos).
É um tipo de Transient Luminous Event (TLE, Evento Luminoso Transitório); um clarão muito breve que aparece na base da ionosfera, acima de grandes trovoadas. Um anel/disco que se expande muito depressa na base da ionosfera (~80–100 km).
Um sprite é também um fenómeno luminoso muito breve (dura milissegundos) que aparece igualmente muito acima de trovoadas, na alta atmosfera.
Mas é uma estrutura avermelhadas em “medusa/cenoura”, entre ~40–90 km, geralmente depois de um raio muito energético; raramente se veem a partir do solo.
E se um fotógrafo captasse estes dois momentos tão rápidos, e raros (e pouco compreendidos pelos cientistas), numa só fotografia?
Aconteceu mesmo. Valter Binotto captou o momento espectacular no seu país natal, em Itália.
A imagem, reproduzida no início deste artigo, parece uma cena de ficção científica. Mas que não é.
A fotografia mostra um “disco voador” vermelho difuso envolvendo tentáculos luminosos que se estendem para baixo; a tal combinação única de um ELVE e um sprite vermelho.
O pulso eletromagnético gerado pela descarga propagou-se por centenas de quilómetros e atingiu a ionosfera, criando os dois eventos luminosos quase instantaneamente. Aconteceu perto de Veneza.
“Desde que comecei, há mais de dez anos, fotografei centenas de sprites. Já os ELVEs, apenas três, incluindo este, que é um evento duplo”, comentou o fotógrafo, em entrevista ao IFLScience.
“Esta é uma rara formação em dupla de Sprite e ELVE. Sprite é o objeto vermelho em forma de tentáculo no centro. O ‘disco voador’ vermelho ao redor deles é o ELVE”, acrescentou Valter Binotto.
Refira-se que o fotógrafo italiano usa uma câmara adaptada para astrofotografia, mais sensível à luz infravermelha, o que aumenta as chances de registrar esses flashes quase imperceptíveis a olho nu.
A imagem é vermelha graças às moléculas de nitrogénio na alta atmosfera.