Quanto custará ao Estado português o regresso da Fórmula 1 a Portugal? Não sabemos. Mas sabemos, por enquanto, que será “um valor que não é expressivo e que será compensado”. E não vai, portanto, dar prejuízo.
Foi esta a garantia de Castro Almeida, ministro da Economia, que nesta terça-feira, 16 de Dezembro, tentou começar e encerrar o tema do investimento de forma simples: “Não haverá saldo negativo para o Estado”.
Numa curta conferência de imprensa na sede do Governo, o ministro detalhou que “o volume de impostos associados à actividade vai ser de valor superior ao custo estimado para o Estado”. E aponta que “será substancialmente inferior” a 50 milhões de euros, apesar de não se comprometer com valores.
Por que motivo não existe mais transparência nos valores? Por enquanto, por imposição da Fórmula 1. “Temos alguma reserva em falar de valores. Os números virão a ser públicos, mas a FIA está a negociar com outros países e, por enquanto, estamos comprometidos com esta reserva”, explicou.
Impacto de 140 milhões de euros
O anúncio do regresso da competição ao autódromo de Portimão, com corridas em 2027 e 2028, veio sem especial pompa mediática da parte do executivo, mas com pompa linguística.
“Grande notícia para Portugal e particularmente para o turismo”, “projecta um Portugal moderno, com ambição, dinamismo e capacidade para integrar um clube muito restrito de países” e “terá um papel na imagem internacional de Portugal”: estas foram algumas das ideias passadas por Castro Almeida, que avançou ainda algumas estimativas.
Haverá um impacto económico na ordem dos 140 milhões de euros, serão cerca de 200 mil visitantes, entre os quais 150 mil espectadores – e metade desses vindos do estrangeiro.
Questionado sobre se esses visitantes teriam os problemas actuais de entrada no país, o ministro apontou ao tempo de trabalho que ainda há pela frente: “Se tudo estivesse na altura das provas como está hoje isso seria um grave problema. Mas em 2027 a situação das entradas nos aeroportos estará francamente melhor.”
O ministro aproveitou ainda para deixar uma mensagem à Câmara Municipal de Cascais, cujo plano de ter a F1 no Estoril foi ultrapassado. “Estamos aqui a tratar de dois anos em Portimão. Podemos ter conversas posteriores com Cascais sobre a forma de rentabilizarmos o Estoril”, apontou.