O Governo português anunciou que, em 2026, vai lançar uma linha de crédito para que as famílias possam fazer obras que melhorem eficiência energética das suas casas. Resultando em casas mais quentes no inverno e mais frias no verão, a novidade pode ajudar as famílias a poupar energia.

Em 2026, programas como o E-Lar vão passar a ser apenas para as famílias carenciadas. Por isso, o Governo vai disponibilizar, para as restantes famílias, uma linha de crédito para obras que tornem as casas mais quentes no inverno e mais frescas no verão.

A partir de 2026, previsivelmente, podem pedir o empréstimo as pessoas que vivem em casa própria ou arrendada, os condomínios, cooperativas de habitação ou Instituições de Solidariedade Social. As empresas ficam de fora.

Casas mais quentes no inverno e mais frescas no verão

Por ser um crédito, quem lhe recorrer terá de pagar cada cêntimo que gastar. No entanto, segundo a ministra do Ambiente, à TSF, as condições destes créditos serão mais vantajosas do que os empréstimos da banca comercial. Ou seja, terão juros mais baixos.

Esta nova linha de crédito será gerida pelo Fundo Ambiental e pelo Banco de Fomento. Em princípio, não terá prazo nem montante máximo definido e é revisto a cada ano.

A informação avançada esclarece que as famílias até ao quarto escalão do IRS, ou seja, que ganhem até 23.089 euros por ano, poderão ser mais beneficiados com uma bonificação nos juros.

O dinheiro terá de ser obrigatoriamente utilizado para soluções bioclimáticas, como janelas e isolamento de coberturas, ventilação, painéis solares, bombas de calor ou dispositivos para o uso eficiente de água.

Pobreza energética em Portugal

No relatório mais recente sobre o Estado da União da Energia, em 2023, Portugal foi o Estado-membro da União Europeia com a percentagem mais elevada de pobreza energética, de 20,8% e ao mesmo nível de Espanha.

Os dois países registavam, na altura, as percentagens mais elevadas de pessoas incapazes de manter a sua casa adequadamente aquecida.

Entretanto, em 2025, no Eurobarómetro sobre comportamento relativamente à energia, divulgado na sexta-feira, dia 12, a maioria dos portugueses inquiridos disse querer melhor proteção perante situações de pobreza energética, além de mais clareza nas faturas energéticas.

Neste cenário, um crédito mais vantajoso pode ajudar as famílias a tornar a sua casa mais energeticamente eficiente e, por conseguinte, contribuir para uma redução da fatura de energia.

Como a nova linha de crédito pode ajudar as famílias a poupar energia

Uma casa energeticamente eficiente consome menos eletricidade, uma vez que reduz as perdas de energia e aproveita melhor os recursos disponíveis.

Um bom isolamento térmico nas paredes, no telhado e nas janelas ajuda a manter a temperatura interior estável, diminuindo a necessidade de aquecimento no inverno e de ar condicionado no verão.

Quanto menos tempo estes equipamentos estiverem ligados, menor será o consumo elétrico ao longo do mês e menor será o valor a pagar.

A eficiência passa, também, pelos equipamentos e sistemas usados no dia a dia. Eletrodomésticos com melhor classificação energética, iluminação LED e sistemas de climatização mais modernos consomem significativamente menos eletricidade para fazer o mesmo trabalho.

Pequenas mudanças, como substituir lâmpadas antigas ou usar termóstatos programáveis, têm impacto direto na fatura.

Uma casa eficiente facilita a integração de soluções como painéis solares ou sistemas de autoconsumo, que permitem produzir parte da eletricidade utilizada. Ao reduzir a dependência da rede elétrica e ao consumir energia de forma mais inteligente, as famílias conseguem poupar de forma consistente e proteger-se melhor contra subidas no preço da eletricidade.